Celulares revelam provas que tornaram Deolane e Marcola réus
Decisão da Justiça de São Paulo cita áudios, Telegram e depósitos como base de acusação por organização criminosa
A decisão da Justiça de São Paulo que transformou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra em ré no processo que apura ligação com o PCC tem como fundamento principal o conteúdo extraído de celulares apreendidos pela investigação. Segundo o Ministério Público de São Paulo, os dados digitais são a “prova nuclear” do caso.
Na quinta-feira, 18, o Judiciário aceitou a denúncia que também atinge o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros investigados apontados como integrantes de sua rede familiar e operacional. O processo envolve acusações de organização criminosa e lavagem de capitais.
De acordo com os autos, as evidências reunidas a partir dos aparelhos analisados incluem mensagens em aplicativos, áudios e comprovantes de depósitos. Esse material teria permitido reconstruir a dinâmica de repasses financeiros atribuídos ao grupo investigado.
As investigações indicam que Deolane seria destinatária de valores oriundos de uma estrutura de movimentação financeira ligada à facção, que operaria por meio de uma transportadora apontada como empresa de fachada usada para ocultar a origem dos recursos.
Entre os elementos citados estão conversas em Telegram que, segundo a acusação, tratam da indicação de contas bancárias para recebimento de valores e da divisão de quantias entre investigados. Há ainda registros de depósitos fracionados vinculados às operações sob apuração.
A decisão também menciona áudios atribuídos à influenciadora, nos quais ela indicaria a guarda de valores pertencentes ao grupo criminoso em imóveis próprios e de familiares.
Segundo o Ministério Público, as movimentações financeiras identificadas somariam 27.002.774,7 reais, quantia considerada incompatível com a renda declarada pela investigada.
O conjunto probatório tem origem principalmente em celulares apreendidos com investigados apontados como operadores financeiros da estrutura, entre eles Ciro Cesar Lemos e Everton de Sousa, citados como responsáveis por intermediar repasses.
No mesmo material, há registros que, segundo a acusação, indicariam a participação de integrantes da família de Marcola na engrenagem de distribuição de valores.
A investigação também aponta que a transportadora mencionada no caso teria sido usada para pulverizar depósitos e ocultar a origem dos recursos oriundos do tráfico de drogas.
Com a decisão, os réus passam a responder formalmente à ação penal e terão prazo para apresentar defesa. Deolane segue presa em unidade prisional no interior paulista.
Outro lado
A defesa de Deolane Bezerra afirma que o recebimento da denúncia não representa qualquer juízo de culpa e nega as acusações. Em nota, sustenta que a influenciadora possui renda lícita e não tem ligação com organização criminosa.
“A defesa de Deolane Bezerra, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, tomou ciência do recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público, ato processual inicial que não representa qualquer conclusão acerca dos fatos imputados. A defesa afirma que utilizará todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa, uma vez que sua cliente é inocente, seus rendimentos possuem origem lícita e regularmente declarada e Deolane não possui qualquer vínculo com o crime organizado.”
A defesa de Marcola e demais familiares também contestou a acusação e afirmou que irá demonstrar a fragilidade da denúncia ao longo do processo.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)