Geólogos encontram 8,8 milhões de toneladas de minerais raros no subsolo europeu e provocam reação no mercado de baterias
A descoberta pode alterar cadeias de produção e reduzir a dependência de matérias-primas importadas
Uma descoberta anunciada na Noruega colocou a Europa diante de uma oportunidade estratégica para reduzir sua dependência de fornecedores estrangeiros. O depósito subterrâneo foi estimado inicialmente em 8,8 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, mas uma atualização divulgada em 2026 elevou esse volume para 15,9 milhões. O impacto alcança veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e equipamentos de defesa.
O que os geólogos encontraram no subsolo da Noruega?
O depósito está no Complexo Carbonatítico de Fen, próximo à vila de Ulefoss, no município de Nome, condado de Telemark, aproximadamente 108 quilômetros a sudoeste de Oslo. A formação surgiu há cerca de 580 milhões de anos, quando magma rico em carbonatos alimentou uma antiga estrutura vulcânica.
Após anos de perfurações, coleta de testemunhos e análises químicas, a empresa Rare Earths Norway apresentou, em junho de 2024, uma estimativa inicial de 559 milhões de toneladas de material mineralizado. A concentração média calculada era de 1,57%, o que correspondia aos 8,8 milhões de toneladas de óxidos de terras raras que chamaram a atenção do mercado europeu.
Quais minerais raros foram identificados no depósito?
O Complexo de Fen contém principalmente terras raras leves, com destaque para neodímio e praseodímio, elementos fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho. A estimativa de 2024 apontava aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de óxidos relacionados a esses ímãs, empregados em motores elétricos e geradores de energia eólica.
A atualização apresentada pela Rare Earths Norway em 2026 aumentou o conteúdo total estimado de 8,8 milhões para 15,9 milhões de toneladas de óxidos de terras raras. O levantamento também elevou de aproximadamente 17% para 19% a participação de neodímio e praseodímio no conjunto e indicou quantidades relevantes de nióbio e tório como possíveis subprodutos.
- Neodímio para ímãs permanentes de alta potência
- Praseodímio para motores elétricos e ligas magnéticas
- Nióbio como possível subproduto de alto valor
- Tório presente na formação e sujeito a controle específico
Para mostrar o local e os desafios do projeto, o canal DW Planet A, que conta com mais de 789 mil inscritos no YouTube, apresenta o vídeo “This invisible Norwegian mine could solve Europe’s rare earth problem”. O material visita o Complexo de Fen, explica o conceito de mina subterrânea com menor impacto visual e aborda a importância das terras raras para motores elétricos e turbinas, alinhado ao tema tratado acima:
Por que a descoberta mexeu com a indústria de veículos elétricos?
Neodímio e praseodímio são usados na produção de ímãs extremamente fortes e compactos. Esses componentes aparecem nos motores de muitos carros elétricos, além de turbinas eólicas, robôs industriais, alto-falantes, drones e diferentes equipamentos eletrônicos. Uma fonte europeia de grande escala pode reduzir riscos de interrupção no fornecimento.
É importante, porém, separar motores de baterias. Terras raras não são os principais materiais das baterias de íons de lítio, que normalmente dependem de lítio, grafite, níquel, manganês, ferro, fosfato ou cobalto, conforme a química utilizada. A reação ocorre no mercado mais amplo de veículos elétricos e minerais críticos, pois os ímãs influenciam diretamente a produção dos motores.
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O que os 8,8 milhões de toneladas de minerais raros representam?
A estimativa de 8,8 milhões de toneladas correspondia ao conteúdo de óxidos de terras raras calculado em 2024, e não ao peso total da rocha subterrânea. Em 2026, novas perfurações, análises e modelos geológicos elevaram o número para 15,9 milhões de toneladas, incluindo recursos classificados como indicados e inferidos. A Rare Earths Norway apresenta os dados atualizados do Complexo de Fen e ressalta que o projeto continua em fase de desenvolvimento.
Esses números representam recursos minerais estimados, e não reservas prontas para exploração lucrativa. Custos, recuperação industrial, licenciamento, infraestrutura e impactos ambientais ainda precisam ser avaliados antes que parte do material possa ser convertida em produção comercial.
Quais obstáculos ainda impedem a exploração em grande escala?
A existência de um depósito gigantesco não resolve automaticamente a dependência europeia. Depois da extração, os elementos precisam ser separados, purificados e transformados em metais, ligas e ímãs. Essas etapas exigem instalações complexas, conhecimento técnico e controle rigoroso dos resíduos químicos e dos materiais potencialmente radioativos.
O projeto norueguês prevê mineração subterrânea e testes de novas tecnologias para reduzir a ocupação da superfície. Mesmo assim, a operação precisará demonstrar viabilidade econômica, obter licenças e lidar com preocupações ambientais e comunitárias antes de iniciar uma produção capaz de influenciar efetivamente o mercado internacional.
- Comprovar a recuperação dos elementos em escala industrial
- Construir unidades europeias de separação e refino
- Controlar resíduos e materiais associados ao tório
- Obter licenças ambientais e aceitação da comunidade

Os minerais raros podem reduzir a dependência europeia?
A descoberta pode fortalecer a autonomia industrial da Europa, especialmente na fabricação de ímãs permanentes. Atualmente, a cadeia global de terras raras permanece concentrada na Ásia, não apenas na mineração, mas principalmente no processamento e na produção dos componentes finais. Abrir uma mina sem construir as etapas seguintes manteria parte importante da dependência externa.
O número de 8,8 milhões de toneladas marcou a descoberta anunciada em 2024, mas já não representa a estimativa mais recente. Com 15,9 milhões de toneladas calculadas em 2026, o Complexo de Fen ganhou ainda mais relevância. O efeito sobre veículos elétricos não virá de uma nova química para baterias, mas da possibilidade de produzir, em território europeu, os ímãs que fazem muitos desses automóveis se moverem.
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