Luana Piovani alimenta treta entre servidores do Banco Central
Atriz publicou um vídeo compartilhado com sindicato de servidores do BC na véspera de votação sobre proposta para ampliar autonomia
Luana Piovani (foto) está preocupada com a autonomia do Banco Central. Ou pelo menos disse que estava, em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram na véspera da votação da Comissão de Constituição (CCJ) e Justiça do Senado que aprovou, em 10 de junho, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central (BC).
O texto aprovado para seguir tramitando também blinda o Pix contra eventuais ingerências e taxações, uma questão que tem sido usada pelo sindicato de servidores do BC para tentar barrar a aprovação da mudança, tratada como essencial para garantir o funcionamento pelo da instituição.
“Oi, meu povo. Bom dia. Tudo bem com vocês? Estou sentada aqui nesse cantinho que eu acho que vocês conhecem, né? Eu venho para cá quando a gente precisa ter aquele papo reto. Eu trouxe um assunto aqui que é importante, porque ele não é muito popular, né? Ele não é sobre praia e sobre aposta, ele é sobre coisas financeiras, o que eu tenho dificuldade de entender. Por isso fiz umas anotações. Inclusive, tive que dar uma estudada e pedir ajuda aos universitários para poder estar aqui conversando com vocês. Agora eu preciso que vocês prestem atenção, porque é importante a votação disso é amanhã, tá? Episódio de hoje: PEC Banco Central”, diz Luana no vídeo, publicado no Instagram em parceria com o perfil do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal).
“Aqui no Brasil resolveram criar a roda”
A atriz, que mora em Portugal há anos, segue:
“Vamos lá. O nosso Banco Central é vinculado ao nosso governo e às suas escolhas. E é assim em quase todo mundo. Só que aqui no Brasil resolveram criar a roda, estão querendo inovar, gente. Querem colocar o Banco Central, ente do governo e sujeito a sofrer influências externas… Gente, isso não tem cheiro de perigo. Me parece um risco gigantesco. Economistas como Bresser Pereira e Luiz Gonzaga Belluzo, que já participaram de governos nossos e são muito renomados, alertaram em recente manifesto contra a PEC do Banco Central que ‘nenhum dos principais bancos centrais do mundo possui a combinação de autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar, que é o que a PEC 65 está pretendendo criar’.”
A menção de Luana a economistas heterodoxos não é mero acaso.
O sindicato do BC é controlado atualmente por servidores aposentados, que têm medo de perder privilégios e relevância com a modernização da instituição, mesmo que a forma como o BC funciona hoje ponha em risco suas atribuições, como já alertaram o atual presidente, Gabriel Galípolo, e seu antecessor, Roberto Campos Neto, que reclamava de “asfixia financeira”.
O reacionarismo dos sindicalistas levou à criação, em 2018, da Associação Nacional dos Auditores e Procuradores do Banco Central (ANBCB), que trabalha hoje pela autonomia plena do BC, numa tentativa de proteger a instituição de influência política — durante a gestão de Campos Neto, o governo Lula segurou repasses, num movimento encarado como retaliação.
“Pagaram a Luana Piovani”
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente do ANBCB, Thiago Cavalcanti, reclamou da forma como o Sinal vem tratando o assunto, destacando que o sindicato “botou um outdoor em plena Brasília, gigantesco, super caro, para dizer que o Pix ia ser privatizado, e não tem isso na PEC”.
“O que dá raiva é que eles estão para o tudo ou nada: pagaram a Luana Piovani para fazer uma publicidade para ela falar mal da PEC”, reclamou.
O sindicato nega que tenha pagado a atriz, mas o fato é que Luana não voltou a falar sobre o assunto desde então, nem diante do avanço da PEC que pretende aumentar a autonomia do BC.
Em seu discurso cívico sobre o BC, a atriz disse que ele “deve estar alinhado a transparência e aos objetivos constitucionais do país”, citando o manifesto assinado por Beluzzo.
“Me parece muito claro e coerente. Ele deve atender às necessidades do povo brasileiro, gente, e não aos interesses do mercado financeiro e dos bancos. Imagina… E correr risco de sanções externas. A única garantia que a gente tem de manter a gratuidade do Pix, a segurança das reservas internacionais e do nosso sistema financeiro é manter o Banco Central como autarquia de direito público”, defendeu Luana.
“Vamos lá. Autarquia de direito público. Autarquia: ‘Entidade coletiva pública dotada de autonomia administrativa, financeira e patrimonial’. Querer mudar o regime jurídico do Banco Central dizendo que é para dar mais autonomia à instituição, pode, na verdade, resultar o contrário. Colocar o Banco Central numa lógica privada vai enfraquecer a autonomia técnica dele, a fiscalização e também a regulamentação do sistema financeiro. Além de existir também a intenção de usar a receita decorrente da emissão de moeda, que é chamada de senhoriagem, que na verdade é o dinheiro que se recebe pela fabricação do papel que a gente usa no dia a dia. Eles querem usar esse dinheiro para bancar a instituição Banco Central apartada do nosso estado brasileiro. Não, senadores, os senhores precisam rejeitar essa PEC na CCJ e resolver as questões de orçamento do Banco Central pelas leis já existentes. O Pix é nosso e o Banco Central é do Brasil”, finalizou a atriz.
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Comentários (1)
Maglu Oliveira
19.06.2026 11:15Essa mulher precisa urgente de um psicólogo! Ela faz qq coisa para aparecer já que a mídia não se interessa mais por ela. Por falar nisso, Antagonista, por que vcs postam coisas sobre uma criatura tão insignificante?