Vice-líder do governo na Câmara pede saída de Wagner
Rogério Correia defende afastamento do senador da liderança no Congresso após desdobramentos da Operação Compliance
A pressão interna no PT cresce para que o senador Jaques Wagner deixe a liderança do governo no Congresso enquanto responde a investigação da Polícia Federal. O pedido partiu do vice-líder do governo na Câmara, deputado federal Rogério Correia, em meio a reações divididas de outras lideranças do partido sobre o caso.
Fogo amigo?
Correia argumentou que o parlamentar baiano deveria se afastar do cargo para se concentrar em sua defesa, diante de novas informações trazidas pela apuração. Segundo o deputado, a orientação seria coerente com a postura adotada pelo presidente Lula em relação a investigações dentro do próprio governo.
“Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas”, escreveu o vice-líder em rede social.
Em mensagem posterior, Correia relacionou o episódio a um escândalo envolvendo a instituição financeira Master e a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, e contrastou a conduta de Lula com a de seu antecessor diante de apurações policiais.
Ninguém solta a mão de ninguém
Outras figuras do PT optaram por manifestar solidariedade ao senador. O ex-ministro Rui Costa, também pré-candidato ao Senado pela Bahia, disse ter acompanhado entrevista de Wagner à BandNews e declarou manter confiança no companheiro de partido, com quem compartilha trajetória política no estado.
Já o ex-ministro José Dirceu classificou Wagner como alvo de “pré-julgamento”e reforçou que o senador ainda não é réu no processo. Para Dirceu, cabe à acusação comprovar eventuais irregularidades, não ao investigado demonstrar inocência.
“É preciso reforçar: ele não é réu, apenas alvo de investigação. E, como tal, precisa ter garantida a presunção de inocência e o direito à ampla defesa. O ônus da prova é de quem acusa”, afirmou o ex-ministro, ao garantir que Wagner conta com apoio de Lula e do partido.
Segundo o relato das manifestações, a divergência pública entre integrantes do PT expõe um racha velado sobre os próximos passos do senador.
Enquanto a ala próxima a Wagner minimiza o impacto político da investigação, bastidores indicam avaliações internas mais cautelosas quanto à permanência dele na liderança do governo no Senado durante o curso das apurações da Operação Compliance.
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