Em 1835, um jornal de Nova York convenceu milhares de leitores de que a Lua abrigava criaturas como homens-morcego alados e bisões, atribuindo a descoberta a um astrônomo real
Em meados do século XIX, um jornal de Nova York anunciou que a Lua seria coberta por florestas, mares interiores e criaturas humanoides aladas
Em meados do século XIX, um jornal de Nova York anunciou que a Lua seria coberta por florestas, mares interiores e criaturas humanoides aladas.
A história, conhecida como o Grande Embuste da Lua, tornou-se um dos casos mais célebres de notícia falsa, ao simular rigor científico em uma época de comunicação lenta e difícil verificação.
O que foi o Grande Embuste da Lua?
O Grande Embuste da Lua foi uma série de textos publicados em 1835 por um jornal popular de Nova York, descrevendo uma falsa descoberta de vida na Lua. O material afirmava reproduzir um artigo científico estrangeiro, atribuído a um assistente de Sir John Herschel e a um periódico que já não circulava.
A narrativa detalhava geografia, mares, florestas e formas de vida lunares, incluindo quadrúpedes fantásticos. O ponto máximo foi a aparição dos “homens-morcegos”, humanoides alados descritos em tom técnico, sem exageros retóricos, o que reforçava a ilusão de seriedade científica.
The Great Moon Hoax of 1835.
— Adrian (@HubrisDisaster) April 28, 2026
In August 1835, the New York Sun, a popular newspaper, began publishing a series of articles claiming that the famous British astronomer Sir John Herschel had made groundbreaking discoveries using a powerful new telescope in South Africa. The… pic.twitter.com/q2zw9t50pu
Como o contexto da época favoreceu o engano?
Em 1835, não havia telégrafo transatlântico nem cabos submarinos ligando América e Europa em tempo quase real. Verificar um artigo supostamente publicado em outro continente exigia semanas de correspondência, o que abria espaço para fraudes durarem mais tempo.
A autoridade da ciência impressa também pesava. O nome respeitado de Herschel, a linguagem técnica, o uso de termos em latim e a descrição de instrumentos ópticos inexistentes criaram uma aparência convincente de pesquisa séria, difícil de contestar rapidamente pelo público leigo.
Todos realmente acreditaram no Grande Embuste da Lua?
A memória popular sugere que toda Nova York foi enganada, mas pesquisas históricas indicam um cenário mais diverso. Alguns jornais reproduziram o conteúdo como curiosidade; outros expressaram dúvidas, questionando a fonte e a verossimilhança das descrições.
Ainda assim, a série teve grande circulação nacional e internacional, sendo reimpressa em outros países. Gravuras mostravam templos, animais exóticos e seres alados, e a correção posterior jamais alcançou o mesmo público, fenômeno semelhante ao que hoje chamamos de “efeito desmentido tardio”.
I've enhanced this remarkable portrait of Sir John Herschel (1792–1871) English astronomer who named 7 moons of Saturn & 4 moons of Uranus (a planet his father discovered). An amazing, characterful face, gazing back from 155 years ago. It was taken in April 1867 by Julia Cameron. pic.twitter.com/XLbeJBCpko
— BabelColour (@StuartHumphryes) February 14, 2022
Que relações existem entre o embuste e as fake news atuais?
O caso antecipa dinâmicas atuais de desinformação: uso de nomes respeitados, fonte difícil de checar, linguagem neutra e publicação seriada, na qual cada capítulo reforça o anterior. Esse modelo criou um ciclo de credibilidade baseado no próprio interesse do público.
Hoje, a checagem é mais rápida, mas a circulação é muito mais intensa. Notícias com aparência técnica, citações de instituições e tom impessoal seguem sendo percebidas como mais confiáveis, o que torna essencial combinar acesso à informação com habilidades de leitura crítica cotidiana.
Como identificar um novo embuste da Lua hoje?
Especialistas em alfabetização midiática sugerem práticas simples para avaliar notícias extraordinárias, especialmente em ciência e tecnologia. Esses cuidados ajudam a reduzir o impacto de boatos virais e de fraudes bem elaboradas.
Análise profunda da legitimidade do domínio, tempo de atividade e registro corporativo da instituição que veicula a informação.
Varredura do histórico acadêmico, publicações indexadas e possíveis conflitos de interesse da autoria do relato.
Mapeamento em malha para certificar se agências independentes e veículos concorrentes corroboram os mesmos fatos primários.
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