O ponto mais profundo dos oceanos é tão extremo que, se o Monte Everest fosse colocado em seu interior, seu cume ainda permaneceria muito abaixo da superfície
O fundo dos oceanos abriga algumas das paisagens mais extremas do planeta, e nenhuma é tão emblemática quanto o Challenger Deep
O fundo dos oceanos abriga algumas das paisagens mais extremas do planeta, e nenhuma é tão emblemática quanto o Challenger Deep, ponto mais profundo da Fossa das Marianas.
Localizado no Pacífico ocidental, ele é frequentemente comparado ao Monte Everest para ilustrar sua profundidade, mas essa comparação não revela toda a complexidade científica envolvida nesse ambiente extremo.
O que é o Challenger Deep e por que ele é tão profundo?
O Challenger Deep é o trecho mais profundo conhecido da Fossa das Marianas, um arco em forma de semicírculo no leito do oceano. Ele se formou em uma zona de subducção, onde uma placa oceânica mergulha sob outra, gerando um vale submarino que ultrapassa 10,9 quilômetros.
Esse cenário faz da fossa um laboratório natural para estudar a dinâmica da crosta terrestre. Pesquisas no local ajudam a entender a interação entre placas tectônicas, a geração de terremotos e o comportamento do manto, além de registrar, em seus sedimentos, mudanças climáticas ao longo de milhões de anos.
When you reach 200 meters (656 ft), you enter the ocean's twilight zone — an expansive world with almost no light.
— Science & Nature (@Sci_Nature0) June 16, 2026
It's so black that photosynthesis is no longer possible. The twilight zone is between 200 and 1,000 meters.
The record for the deepest dive by a human? 332 m… pic.twitter.com/GddcBrcjQ9
Challenger Deep é realmente mais profundo que o Monte Everest é alto?
Medições modernas indicam que o Challenger Deep atinge quase 11 mil metros abaixo da superfície do mar. O Monte Everest tem cerca de 8.849 metros acima do nível do mar, o que significa que, se fosse colocado no fundo da fossa, seu topo ainda ficaria submerso por mais de 2 quilômetros de água.
Essa comparação destaca que a profundidade máxima dos oceanos supera a altitude do pico mais alto do planeta. Além disso, evidencia ambientes opostos: o Everest exposto a ventos e baixa pressão atmosférica, e o Challenger Deep imerso em escuridão, frio intenso e pressões gigantescas.
Como é medida a profundidade do Challenger Deep?
A profundidade é medida principalmente por ecossondas, que enviam pulsos de som ao fundo e registram o tempo de retorno do eco. A distância é calculada a partir da velocidade do som na água, que varia com temperatura, salinidade e pressão, exigindo correções e modelos detalhados.
Para aumentar a precisão, expedições combinam sonar multifeixe com sondas físicas que descem a grandes profundidades e registram perfis verticais do oceano. Cada nova campanha recalibra medições anteriores, reduz margens de erro e refina o mapa do relevo submarino.

Quais são os principais desafios científicos e tecnológicos no fundo da Fossa das Marianas?
O maior obstáculo é a pressão, superior a mil vezes a pressão atmosférica ao nível do mar. Estruturas enviadas até lá exigem materiais altamente resistentes, geometrias específicas e sistemas exaustivamente testados para evitar colapsos catastróficos.
Além disso, a ausência de luz solar, as baixas temperaturas, as correntes profundas e a comunicação limitada por acústica dificultam operações prolongadas. Para enfrentar esses desafios, diferentes tecnologias são empregadas em conjunto:
Veículos de imersão profunda com cascos de titânio para observação visual humana direta e coleta cirúrgica de dados geológicos e biológicos.
Robôs controlados via cabo de fibra óptica, garantindo energia contínua e telemetria em tempo real para manipulação de ferramentas de precisão.
Drones submarinos autônomos que executam planos de voo programados para aquisição de perfis físico-químicos e imageamento de varredura lateral.
Varredura batimétrica acústica de alta frequência que reconstrói a topografia tridimensional do assoalho oceânico com resolução decimétrica.
O que a ciência aprende ao estudar a maior profundidade dos oceanos?
Os estudos investigam a composição química da água e dos sedimentos, buscando entender ciclos de carbono e processos ligados ao clima global. Microrganismos adaptados à alta pressão, chamados barófilos, revelam limites da vida e possíveis aplicações em biotecnologia.
A análise de sedimentos já identificou poluentes e microplásticos até no Challenger Deep, mostrando que o impacto humano alcança as maiores profundidades. Esses dados orientam debates sobre conservação marinha, governança de águas profundas e o uso responsável desse ambiente extremo.
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