Keiko Fujimori abre vantagem em eleição no Peru
Candidatos trocam acusações de irregularidades; partido de esquerda quer recontagem dos votos e convoca protestos
Com mais de 99% das urnas contabilizadas no Peru, a candidata Keiko Fujimori, do partido Força Popular, mantém liderança sobre o esquerdista Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, no segundo turno realizado no dia 7.
A diferença entre os dois — menos de 40 mil votos — e os recursos jurídicos apresentados por ambos os lados deixam o resultado final em suspenso até julho, prazo estimado pelas autoridades eleitorais para a conclusão oficial da apuração.
Números e disputa jurídica
Keiko aparece com 50,109% dos votos válidos contra 49,891% de Sánchez — uma vantagem de 39.890 votos. Diante do empate técnico, as duas legendas recorreram à Justiça Eleitoral.
O Juntos pelo Peru protocolou quatro pedidos de anulação, solicitando a invalidação de 1.751 mesas no país e 649 nos Estados Unidos.
A justificativa apresentada é a de que foram identificados “padrões de repetição exata” nos registros de votação em mesas onde Keiko obteve maioria — o que, segundo o partido, “desafia toda probabilidade matemática” e “indica uma adulteração sistemática e coordenada no preenchimento das atas de apuração”.
O Força Popular também acionou a Justiça, contestando mesas na região de Puno. A sigla alega que representantes credenciados foram impedidos de acessar locais de votação e que “fatos graves que afetam a transparência, a legalidade e a autenticidade do sufrágio” justificam a nulidade de mais de 7 mil votos, dos quais 5.932 foram registrados em favor de Sánchez.
Protestos e discurso de defesa do voto
Enquanto os tribunais analisam os recursos, o Juntos pelo Peru convocou manifestações em todo o país. Segundo O Globo, o partido declarou que “o voto popular foi deslegitimado” e anunciou que não reconhecerá resultados que, na sua avaliação, não reflitam “a vontade popular com absoluta transparência”.
A legenda também denunciou “a mudança das regras eleitorais em pleno processo” e “manobras político-midiáticas” como ameaças à soberania do eleitorado.
O próprio Sánchez, porém, procurou moderar o discurso: “Ter dúvidas razoáveis, apresentar contestações, exercer o direito de defesa do voto não implica que não reconheçamos os resultados. Temos dúvidas razoáveis e também tomamos as medidas legais adequadas porque constatamos que a situação não é clara”.
A porta-voz do partido, Anahí Durand, havia afirmado que a legenda respeitaria a decisão das autoridades eleitorais competentes.
O desfecho da disputa presidencial peruana segue, portanto, nas mãos dos órgãos da Justiça Eleitoral, com previsão de resolução para o mês de julho.
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