Cuba anuncia abertura econômica sob pressão de Washington
Partido Comunista aprova reformas que flexibilizam setores mas “de forma alguma constituem um desvio do projeto socialista”
O Partido Comunista de Cuba (PCC) aprovou um conjunto de medidas que autoriza a participação de capitais privados em áreas até então reservadas ao Estado. As mudanças foram apresentadas pelo ditador Miguel Díaz-Canel em aparição na tv estatal e, se aprovadas, podem atingir turismo, imóveis, agricultura e comércio exterior.
Descentralização e capital externo
A guinada “liberal” prevê maior autonomia para empresas estatais e municípios, com descentralização das decisões administrativas. Entre os pontos centrais está a abertura ao investimento estrangeiro direto, com destaque para cubanos residentes fora do país — parcela significativa deles nos Estados Unidos.
O Comitê Central divulgou nota afirmando que as alterações representam “uma expressão da lógica de desenvolvimento no período histórico” e que “de forma alguma constituem um desvio do projeto socialista”.
O ex-líder Raúl Castro, de 95 anos, participou da sessão por videoconferência e, segundo o informe do partido, endossou as propostas em carta na qual as descreveu como “o que é melhor para a Revolução hoje”.
Contexto de escassez e pressão externa
Segundo informações divulgadas pelo próprio governo cubano, as medidas são uma resposta direta ao que o regime denomina “guerra econômica” conduzida por Washington.
Desde o início do ano, os Estados Unidos bloquearam quase integralmente o fornecimento de petróleo e derivados à ilha, o que precipitou a saída de empresas internacionais do setor de turismo, aviação, navegação e serviços financeiros — movimentos atribuídos ao temor de sanções secundárias.
A escassez de combustível já compromete a produção agrícola e industrial. Apagões tornaram-se rotina em Havana e arredores. A deterioração das condições de vida deu origem a manifestações públicas, ainda que de pequena escala, incomuns num sistema de partido único.
O governo do presidente Donald Trump, além do bloqueio energético, tem exigido reformas políticas amplas de Havana e feito referências abertas à possibilidade de intervenção, citando como precedente a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, ocorrida em janeiro deste ano.
Os EUA também acusam Raúl Castro de envolvimento no abatimento de um avião civil de ativistas cubanos exilados, em 1996, com denúncia apresentada por promotores federais.
A transformação das medidas em lei depende da aprovação da Assembleia Nacional do Poder Popular, o Parlamento unicameral do país, em sessão marcada para esta quinta-feira.
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Comentários (1)
Marian
18.06.2026 18:06Tem que ter coragem para colocar seu rico dinheirinho num país comunista. China foi só uma.