Comparação com Apartheid provoca crise entre Israel e UE
Ministro do Exterior israelense, Gideon Saar, exige retratação de declarações atribuídas Kaja Kallas, que pede diálogo
O governo de Israel interrompeu as relações diplomáticas com Kaja Kallas, responsável pela política externa e de segurança da União Europeia, após acusá-la de equiparar as ações israelenses nos territórios palestinos ao Apartheid sul-africano. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 18, pelo ministro do Exterior israelense, Gideon Saar, que condicionou a retomada do contato a uma retratação pública da diplomata.
A acusação e o rompimento
Segundo o site DW, o estopim foi uma reportagem do portal especializado em assuntos europeus Euractiv, que relatou declarações de Kallas em reuniões reservadas durante visita ao México, em maio.
Conforme funcionários presentes nos encontros, a chefe da diplomacia europeia teria comparado a situação dos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ao regime de segregação racial que vigorou na África do Sul entre 1948 e 1994, após ter visitado um museu dedicado ao tema em Joanesburgo.
Em comunicado publicado na rede social X, Saar afirmou: “Não tenho outra escolha senão romper todos os laços com Kallas até que ela se retrate da vil calúnia que proferiu contra o único Estado judeu do mundo, que é também a única democracia no Oriente Médio”.
Kallas pede diálogo; Israel mantém posição
Em resposta, Kallas defendeu o engajamento diplomático: “A UE está sempre empenhada numa relação construtiva com Israel. Valorizo nosso diálogo e engajamento, e estou aberta a continuar nesse espírito, respeitosamente e de forma construtiva”, escreveu.
A diplomata reiterou ainda a posição oficial do bloco, que condena os assentamentos israelenses na Cisjordânia como obstáculos à solução de dois Estados.
Saar, no entanto, interpretou a resposta como uma esquiva. Em nova publicação, afirmou que Kallas “se abstém de negar ou condenar o que lhe é atribuído” e concluiu: “A questão é simples: se você realmente fez essas declarações vis e difamatórias, então as assuma. Se você não as fez, negue”.
Não é a primeira vez…
A comparação entre as políticas israelenses e o Apartheid já foi feita por organismos como a ONU, a Anistia Internacional e o Human Rights Watch em relatórios sobre os direitos dos palestinos. O termo, porém, permanece controverso — a Alemanha, por exemplo, rejeita a equiparação.
Israel ocupa a Cisjordânia e Jerusalém Oriental desde 1967. Atualmente, mais de 700 mil colonos israelenses vivem na região, onde residem cerca de 3 milhões de palestinos.
Os palestinos reivindicam esses territórios para a formação de um Estado independente, com Jerusalém Oriental como capital — proposta que Israel considera uma ameaça à sua existência.
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