Wagner negou relação com fraudes do Master antes de operação da PF
No plenário do Senado, o parlamentar classificou como "leviana" uma reportagem da Revista Veja sobre negócios envolvendo políticos da Bahia
Dois dias antes de ser alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Compliance Zero, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), usou o plenário da Casa para negar qualquer envolvimento de seu nome com supostas fraudes relacionadas ao Banco Master.
Durante o discurso, Wagner classificou como “leviana” uma reportagem da revista Veja que mencionava uma possível delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, na qual são citados supostos negócios envolvendo o banco e integrantes do governo da Bahia.
“A capa da Veja fala que revelará os negócios do PT da Bahia, coisa que vem sendo repetido por diversas vezes e eu já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da (Polícia) Federal que encontrou algo sobre o meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa”, disse o parlamentar.
Wagner também negou relação com Daniel Vorcaro. “Eu estou muito à vontade porque conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF.”
Líder do PT na Compliance Zero
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 18, uma nova fase da operação Compliance Zero agora mirando o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado.
Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão.
Um dos locais da busca é o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro.
A PF suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento.
Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
As investigações também miram a rede supermercadista Cesta do Povo, rede que pertenceu ao governo da Bahia. Conforme as primeiras informações da Polícia Federal, há suspeitas de fraudes em carteiras de crédito. Durante o governo Jaques Wagner, essa rede de supermercados foi privatizada e beneficiou Augusto Lima.
As suspeitas surgiram a partir de mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro.
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