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Brasil afunda em ranking global de competitividade
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Carlos Graieb
4 minutos de leitura 18.06.2026 15:14 comentários
Economia

Brasil afunda em ranking global de competitividade

País cai sete posições em análise tradicional e registra uma das piores posições de sua história recente

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Carlos Graieb
4 minutos de leitura 18.06.2026 15:14 comentários 1
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Brasil afunda em ranking global de competitividade
Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Brasil caiu sete posições no World Competitiveness Yearbook (WCY) 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral. O país passou da 58ª para a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas, registrando uma das piores posições de sua história recente.

Por que isso importa

O estudo deste ano sustenta que a competitividade deixou de ser baseada apenas em tamanho de mercado, custos ou produtividade. A capacidade de oferecer previsibilidade institucional tornou-se um diferencial econômico decisivo em um cenário marcado por tensões comerciais e crescente fragmentação geopolítica. 

O quadro geral

O ranking do IMD combina estatísticas e pesquisas com executivos para avaliar quatro grandes dimensões: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.

O Brasil piorou em todas elas.

O dado mais revelador talvez seja a discrepância entre seus resultados econômicos e sua capacidade institucional. O país ocupa a 36ª posição em desempenho econômico, mas aparece em 69º lugar em eficiência governamental, 67º em eficiência empresarial e 61º em infraestrutura.

Isso significa que as empresas brasileiras produzem resultados melhores do que o ambiente institucional e produtivo que a sustenta. O país ainda se beneficia do tamanho de seu mercado interno, da força do agronegócio e das exportações de commodities, mas encontra dificuldades para transformar essas vantagens em ganhos duradouros de competitividade.

Dimensões da piora

A capacidade das empresas de produzir valor mostra sinais de fadiga e a maior deterioração ocorreu justamente em eficiência empresarial, que perdeu 11 posições em apenas um ano. O desempenho econômico recuou seis posições, enquanto infraestrutura e eficiência governamental também registraram queda.

Segundo a Fundação Dom Cabral, o resultado reflete problemas persistentes tanto no setor público quanto no privado. A gestão estatal continua sendo um obstáculo relevante, mas os indicadores empresariais mostram dificuldades relacionadas a endividamento, inovação, produtividade e qualificação da mão de obra.

O ponto crítico

O ranking identifica dois gargalos particularmente graves.

O primeiro é o custo de capital. O Brasil aparece na última posição mundial nesse indicador. Em um ambiente de juros elevados, investimentos de longo prazo tornam-se mais caros, projetos produtivos perdem atratividade e empresas reduzem sua disposição para inovar ou expandir operações.

O segundo é a educação básica. O país também ocupa a última colocação em educação primária e secundária. Trata-se de um problema especialmente relevante porque afeta diretamente a produtividade futura, a capacidade de absorver tecnologia e a formação de mão de obra qualificada.

A tese do relatório

O IMD argumenta que a competitividade global está se tornando uma disputa por credibilidade institucional. Investidores e empresas valorizam cada vez mais ambientes nos quais contratos são cumpridos, decisões administrativas são previsíveis e o exercício do poder público permanece sujeito a limites claros.

O estudo identifica cinco funções econômicas centrais do Estado de Direito: gerar previsibilidade, proteger contratos e direitos, limitar arbitrariedades, coordenar expectativas entre agentes econômicos e conferir credibilidade às políticas públicas.

A ideia central é que essas instituições funcionam como “infraestrutura invisível”. Assim como estradas ou portos reduzem custos logísticos, regras confiáveis reduzem riscos e ampliam horizontes de investimento.

Países no topo

Os cinco primeiros colocados do ranking são Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos.

À primeira vista, são economias muito diferentes entre si. Singapura combina planejamento estatal e abertura econômica. Hong Kong opera sob uma configuração singular, vinculada à China. A Suíça é uma democracia altamente descentralizada. Taiwan convive com permanente pressão geopolítica chinesa. Os Emirados Árabes Unidos são uma monarquia baseada em petróleo.

O que une esses países não é um modelo político ou econômico específico, mas um conjunto de atributos institucionais: elevada previsibilidade regulatória, capacidade de execução do Estado, estabilidade das regras, infraestrutura eficiente e ambiente favorável à atividade empresarial.

Resumo da ópera

O ranking indica que a dificuldade de construir um ambiente institucional capaz de sustentar o crescimento econômico ao longo do tempo é o principal problema brasileiro.

Enquanto os líderes globais transformam previsibilidade e confiança em vantagens competitivas, o Brasil se vê preso numa combinação de juros elevados, baixa eficiência pública, fragilidades educacionais e incerteza regulatória. 

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Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

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Comentários (1)

Marian

18.06.2026 18:12

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