A ilha no Pacífico onde mergulhadores veem milhares de tubarões, mas uma corrente errada pode fazê-los desaparecer no oceano
O santuário marinho combina biodiversidade extraordinária, isolamento extremo e correntes capazes de transformar mergulhos em emergência
A mais de 500 quilômetros da costa colombiana, perdida no meio do Pacífico, existe uma ilha que mergulhadores experientes comparam ao Everest, e não é elogio. A Ilha de Malpelo combina correntes imprevisíveis, isolamento extremo e uma vida marinha tão abundante que parece irreal. É exatamente essa combinação que atrai os melhores mergulhadores do mundo, e que já os fez desaparecer no oceano.
Por que Malpelo é chamada de o Everest do mergulho
A comparação com a montanha mais alta do mundo não é exagero. Malpelo fica tão distante do continente que nem helicópteros conseguem chegar em caso de emergência. Qualquer operação de resgate depende de embarcações que levam horas para chegar ao local, transformando qualquer acidente subaquático em uma situação de alto risco real.
As correntes marinhas que cercam a ilha são o principal elemento de perigo. Elas são fortes, imprevisíveis e podem afastar um mergulhador da parede rochosa em direção ao mar aberto em questão de segundos. Correntes descendentes também são registradas no local, capazes de empurrar mergulhadores para profundidades muito maiores do que o planejado, sem aviso prévio.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Alpha Expeditions falando sobre o lugar mais perigoso dos oceanos.
O acidente de 2016 que mostrou o que Malpelo é capaz de fazer
Em 2016, cinco mergulhadores foram arrastados pelas correntes durante uma expedição na ilha. Um deles se separou do grupo, algo considerado um dos erros mais graves que se pode cometer em Malpelo, e foi encontrado quase um dia depois, agarrado a uma rocha na própria ilha. Outros dois foram resgatados com vida pela Armada colombiana depois de passarem aproximadamente 48 horas à deriva, a cerca de 80 quilômetros da ilha.
O desfecho foi trágico: o corpo de uma das mergulhadoras foi localizado dias depois, e o guia da expedição nunca foi encontrado. O episódio expôs de forma brutal o que a falta de equipamentos de emergência pode custar naquele ambiente, já que nenhum dos cinco contava com GPS de rastreamento, o que tornou a busca muito mais difícil e demorada.
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O que torna Malpelo perigosa também a faz extraordinária
As mesmas correntes que tornam Malpelo temida pelos mergulhadores são responsáveis pela biodiversidade que a torna única. Elas carregam nutrientes em quantidade, atraindo grandes concentrações de vida marinha de diferentes partes do Pacífico. O local é considerado um dos melhores pontos do planeta para observar tubarões-martelo em cardumes abertos. A fauna registrada nas expedições inclui:

A tecnologia que pode significar a diferença entre vida e morte
Desde o acidente de 2016, o GPS de emergência passou a ser tratado como equipamento indispensável em expedições a Malpelo. O dispositivo envia as coordenadas exatas dos mergulhadores ao barco de apoio, permitindo que a equipe de resgate chegue ao local mesmo em condições de visibilidade zero causadas por chuva intensa e neblina. Em uma expedição recente, mergulhadores que subiram à superfície sem avistar a lancha de apoio acionaram o GPS e foram resgatados em cerca de dez minutos.
Outro desafio crescente é a pesca ilegal. Anzóis usados para captura de tubarões já foram encontrados dentro da área de proteção da ilha, onde as espécies deveriam estar completamente a salvo. O alvo principal são os tubarões-martelo e os galápagos, procurados por causa de suas barbatanas. A distância da costa torna a fiscalização cara e complexa, e a ameaça ao ecossistema é real.
Malpelo não é para qualquer mergulhador, e não deveria ser
Chegar até Malpelo já é uma expedição por si só. A ilha fica isolada no meio do Pacífico, cercada por tempestades, neblina e águas frias, e a travessia de barco pode levar muitas horas em condições adversas. Debaixo d’água, os mergulhadores precisam usar as duas mãos para se agarrar às rochas contra a força das correntes, enquanto monitoram o nível de ar, a profundidade e a posição em relação à ilha ao mesmo tempo.
Malpelo é um dos últimos lugares do oceano onde a natureza ainda dita completamente as regras. Quem vai até lá em busca de uma das experiências subaquáticas mais impressionantes do mundo precisa levar consigo preparo absoluto, equipamento adequado e respeito incondicional pelo mar, porque o oceano, como o acidente de 2016 mostrou, não dá segunda chance.
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