Apartamento de luxo ligado a Wagner tem 173 m² e 4 suítes em Salvador
Imóvel teria sido propina do Banco Master para o senador petista
Um relatório da Polícia Federal (PF) embasou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou a entrega de um apartamento de luxo em Salvador ao senador Jaques Wagner (PT) como forma de propina do banqueiro Daniel Vorcaro.
Avaliado em R$ 2,4 milhões, o imóvel fica no condomínio Poème Horto, localizado no Horto Florestal, um dos bairros mais valorizados da capital baiana,,
Segundo anúncios de corretoras, a unidade nº 1.702 possui 173 metros quadrados, quatro suítes, cinco banheiros e três vagas de garagem.
“O Poeme é o mais novo lançamento da Moura Dubeux em Salvador. Com torre única, em um amplo terreno de 3.226m², hall exclusivo e infraestrutura completa de lazer, conveniência e segurança. A torre tem 36 pavimentos com apenas 2 apartamentos por andar. Localizado no bairro Horto Florestal, um dos melhores bairros para se viver em Salvador para quem busca qualidade de vida, tranquilidade, segurança e natureza. Arborizado, exclusivo e ao mesmo tempo próximo à conveniências como farmácias, mercados e shoppings de Salvador. A área de lazer desse empreendimento é completa e com foco no bem-estar e convivência”, diz o anúncio.
Decisão
Na decisão proferida por Mendonça, Mendonça afirma que há indícios de que a aquisição da unidade nº 1.702 do empreendimento Poème Horto, avaliada em aproximadamente 2,45 milhões de reais, teria sido viabilizada por meio de estruturas societárias e financeiras interpostas para ocultar o verdadeiro beneficiário do imóvel.
Segundo a Polícia Federal, em novembro de 2024, Wagner enviou ao empresário Augusto Ferreira Lima, apontado como gestor ligado ao Banco Master, informações detalhadas sobre o apartamento, incluindo o número da unidade, o contato do corretor responsável pela venda e o valor do imóvel.
Na sequência, Augusto teria acionado operadores financeiros para providenciar a aquisição do bem.
“A Polícia Federal sustenta que JAQUES WAGNER teria encaminhado a AUGUSTO FERREIRA LIMA dados do empreendimento Poème Horto, do corretor responsável pela venda e da unidade nº 1.702, avaliada em aproximadamente R$ 2.450.000,00. Em seguida, AUGUSTO teria acionado VALÉRIO MAREGA JÚNIOR, identificado como ‘VALÉRIO FUNDOS’, para tratar da operacionalização da aquisição do referido imóvel, a qual teria sido efetivamente realizada com o auxílio de DANIEL e DAVID LOPES MONTEIRO”, declarou o ministro André Mendonça na decisão.
A investigação sustenta que a compra formal foi realizada pela empresa Epítome S.A., abastecida com recursos oriundos de estruturas de fundos ligadas ao grupo econômico investigado. Para os investigadores, a operação apresenta características compatíveis com a ocultação do beneficiário final do imóvel.
As suspeitas da PF ganharam força meses depois. Em maio deste ano, de acordo com a decisão, Wagner encaminhou a Augusto mensagens enviadas por um de seus filhos solicitando os dados do proprietário formal do apartamento para emissão de documentos técnicos necessários às alterações no imóvel, como o Registro de Responsabilitade Técnica (RRT).
“A atuação parlamentar de JAQUES WAGNER também é indicada como elemento de correlação. A representação aponta sua participação na pauta do crédito consignado, especialmente na Emenda nº 302[2] à MPV nº 1.106/2022, convertida na Lei nº 14.431/2022, em contexto temporal próximo ao início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN FINANCEIRA LTDA., empresa de seu núcleo familiar”, afirmou a Polícia Federal no relatório que embasou a operação desta quinta-feira.
Para os investigadores, o episódio sugere que o senador e sua família tratavam a unidade como um bem de seu interesse, embora ela estivesse registrada em nome de terceiros.
Mendonça também destacou que as tratativas relacionadas ao apartamento teriam continuado mesmo após a primeira fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal identificou reuniões presenciais, chamadas telefônicas, videoconferências e trocas de minutas contratuais envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master e ao entorno do senador para reorganizar juridicamente a situação do imóvel.
Na avaliação do ministro, há risco concreto de interferência sobre provas relacionadas ao apartamento. Por isso, ele proibiu Jaques Wagner e os demais investigados de manter contato com funcionários, corretores, engenheiros, arquitetos e demais colaboradores da construtora responsáveis pela comercialização e pelas tratativas envolvendo a unidade 1.702 do Poème Horto.
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