Irã anuncia cobrança em Ormuz após 60 dias de acordo
Negociador iraniano diz que taxação de navios consta em memorando assinado com Washington
O Irã vai começar a cobrar taxas de embarcações que atravessarem o Estreito de Ormuz tão logo se encerre uma janela inicial de 60 dias sem cobranças, conforme estabelecido no entendimento preliminar fechado com os Estados Unidos para pôr fim ao conflito no Oriente Médio.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 17, pelo negociador-chefe do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, que também comanda o Parlamento iraniano.
Cláusula consta em memorando bilateral
De acordo com Ghalibaf, a cobrança pela passagem pelo estreito está prevista no próprio texto do memorando de entendimento firmado entre Teerã e Washington. O documento, divulgado por ambos os governos na noite de quarta-feira, deve ser formalizado em cerimônia na Suíça, marcada para sexta-feira, 19.
Na avaliação do parlamentar iraniano, o acerto representa um retrocesso diplomático para os americanos. “Este acordo representa um fracasso para os Estados Unidos. As pessoas irão tomar conhecimento dele e tirar suas próprias conclusões”, declarou à emissora estatal iraniana.
Ghalibaf deve participar da assinatura do protocolo ao lado do vice-presidente dos EUA, JD Vance, em evento próximo à cidade suíça de Lucerna.
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã sinalizou que avalia uma alternativa: a chancelaria informou que um dos cenários em estudo é a formalização remota do memorando antes mesmo da data prevista, por meio dos próprios presidentes dos dois países: “Até o momento, nossos planos para a reunião não mudaram”, afirmou o porta-voz Esmaeil Baqaei.
Trump elogia acerto em cúpula do G7
Durante a reunião do G7 em Évian, na França, o presidente americano Donald Trump comentou o texto do memorando, tornado público na íntegra nesta quarta-feira.
Segundo ele, a ausência do acerto teria prolongado a campanha militar. “Poderíamos ter lançado mais bombas por mais três semanas, duas semanas, quatro semanas”, disse, acrescentando que, sem o entendimento, o Estreito de Ormuz jamais seria reaberto.
Trump recebeu apoio dos demais integrantes do grupo, que mencionaram em comunicado conjunto a liderança do mandatário americano e classificaram o momento como uma chance de impedir o avanço nuclear iraniano. “Eles adoraram este acordo”, resumiu o republicano em entrevista coletiva. “Se não for resolvido em 60 dias, tudo bem, voltamos aos bombardeios”.
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