Justiça manda SBT exibir direito de resposta de Erika Hilton após falas de Ratinho
Juiz afirmou que apresentador desumanizou e deslegitimou a identidade da parlamentar ao negar sua condição de mulher
A 2ª Vara Cível do Foro Central do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo atendeu nesta quarta-feira, 17, o pedido de direito de resposta apresentado pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) contra o SBT, em razão de declarações feitas pelo apresentador Ratinho ao reclamar da eleição dela para o comando da Comissão da Mulher na Câmara, segundo o Metrópoles.
Na decisão, o juiz André Della Latta Cartaxo afirmou que as declarações de Ratinho reduziram a “condição da mulher a atributos estritamente biológicos e morfológicos”.
De acordo com o magistrado, o apresentador desumanizou, humilhou e deslegitimou a identidade da deputada ao negar sua condição de mulher.
O juiz condenou a emissora SBT exiba o vídeo com o direito de resposta de Erika Hilton durante o Programa do Ratinho, atração em que foram feitas as declarações que motivaram a ação judicial.
Relembre o caso
Questionado em seu programa sobre a escolha da comissão, Ratinho disse que, para ser mulher, “tem que ter útero”.
“Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton. Ela não é mulher, ela é trans.
Não tenho nada contra trans, nada. Mas se tem outras mulheres… a mulher mesmo. Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito todo mundo que.., né? É a comissão lá da defesa dos direitos da mulher. Eu respeito todo mundo que tem comportamento diferente. Tá tudo certo para mim. Tá tudo certo.
Agora, mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias, tem que menstruar, tem que ter útero.
A dor do parto… Vocês pensam que a dor do parto é fácil? Tem que fazer o negócio de papanicolau.
Com tanta mulher lá, vai dar… eu não sei, eu sou contra. Eu acho que devia deixar uma mulher ser ser presidente da comissão das mulheres”, disse o apresentador sob aplausos de uma plateia formada por mulheres.
“Quero dizer que eu não tenho nada contra a deputada Erika, eu não tenho nada contra ela, nada. Não me fez nada. Ela só fala bem, né? Ela fala bem. Ela é boa de prosa, né? Ela é boa de prosa, né? Agora não tenho nada contra ela, mas eu acho que devia ser uma mulher”, continuou.
Problemas e desafios
Ratinho questionou se Erika Hilton entende dos problemas e desafios “de uma pessoa que nasceu mulher”.
“Então, para quem não sabe, a deputada Erika Hilton, ela é trans. Mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Por que não é fácil ser mulher.
E se fosse o contrário? Imagina se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino. Estaria certo também? Não estaria.
Gente, a gente tem que o Brasil… É, tá certo. Vamos se modernizar (sic), vamos ter inclusão. Mas não precisa exagerar, não precisa exagerar. Estão exagerando”.
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