Museu do Louvre opera “no limite”, afirma presidente
Christophe Leribault citou falhas estruturais e atraso em obras de modernização durante depoimento ao Senado francês
O museu do Louvre atravessa uma fase crítica de infraestrutura, com equipamentos defasados e investimentos insuficientes para sustentar o volume de visitantes recebido anualmente.
A avaliação foi apresentada pelo presidente da instituição, Christophe Leribault, nesta quarta-feira, 17, durante depoimento a uma comissão do Senado francês em Paris. Segundo ele, o museu chegou a um ponto em que decisões urgentes sobre o prédio não podem mais ser postergadas.
Roubo expôs fragilidades
O diagnóstico foi apresentado meses depois do furto de joias da Coroa francesa, ocorrido em outubro do ano passado, episódio que trouxe à tona deficiências na segurança do museu mais visitado do mundo, com nove milhões de visitantes registrados no último ano.
Leribault, que assumiu o cargo em fevereiro, declarou à comissão: “Podemos dizer sem rodeios: apesar de sua imponente majestade, apesar do empenho diário de suas equipes, é um Louvre no limite”. Ele acrescentou que as instalações “estão chegando ao fim de um ciclo”.
De acordo com o dirigente, a instituição enfrenta agora um cruzamento entre necessidades urgentes de manutenção predial e restrições orçamentárias: “Estamos em uma encruzilhada: as urgências relativas ao edifício se acumulam e enfrentamos uma barreira de investimentos, o que, evidentemente, não é o que se quer ouvir”, afirmou.
Financiamento depende de doações
Parte da solução passa pelo projeto de reforma anunciado pelo presidente Emmanuel Macron no início de 2025, que prevê uma nova entrada para o museu e um espaço subterrâneo destinado à exposição da Mona Lisa. O custo total dessas duas obras é estimado em 660 milhões de euros (cerca de R$ 3,88 bilhões), dentro de um orçamento geral de aproximadamente 1 bilhão de euros (R$ 5,88 bilhões).
Leribault explicou que esse valor precisa ser viabilizado por meio de mecenato, com cerca de metade vindo da exploração da marca do Louvre em Abu Dhabi, onde existe uma unidade do museu desde 2017. O restante, segundo ele, “terão de ser obtidos nos próximos meses junto de grandes empresas e doadores individuais”.
Sobre segurança, o presidente informou que medidas pontuais já foram tomadas, como a instalação de câmeras adicionais em pontos considerados sensíveis. Um novo sistema de vigilância por vídeo para todo o perímetro do museu, porém, só deve entrar em funcionamento a partir de janeiro de 2027.
Ele justificou o prazo afirmando que “não se pode criar toda uma nova rede com centenas de câmeras sem reforçar a estrutura técnica”. Leribault também reconheceu o impacto institucional do episódio, dizendo que “a ferida do roubo e o trauma dos meses que se seguiram continuam sendo muito intensos no museu”.
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