O motivo bizarro pelo qual a cidade de Longyearbyen, na Noruega, proíbe sepultamentos
O solo permanentemente congelado impede a decomposição normal e criou uma regra incomum no extremo norte da Noruega
A poucos quilômetros do Polo Norte, um pequeno cemitério com cruzes brancas guarda uma história que parece saída de um filme. Em Longyearbyen, não é a morte que está proibida, mas o sepultamento tradicional de corpos, porque o solo congelado impede a decomposição normal e transforma antigas sepulturas em cápsulas preservadas pelo frio.
Por que a cidade de Longyearbyen deixou de realizar sepultamentos?
Longyearbyen fica no arquipélago de Svalbard, território norueguês situado no Oceano Ártico. A cidade possui cerca de 2.400 moradores e está construída sobre uma camada de permafrost, nome dado ao solo que permanece congelado durante pelo menos dois anos consecutivos. Em algumas áreas, essa camada continua endurecida por séculos.
O problema surgiu porque os corpos enterrados no antigo cemitério não se decompunham como ocorreria em regiões mais quentes. O frio, a pouca atividade microbiana e as condições do terreno desaceleravam drasticamente a deterioração. Com isso, o cemitério deixou de receber enterros convencionais por volta de 1950, embora a frase viral de que seria “ilegal morrer” na cidade seja uma simplificação exagerada.
Qual é o verdadeiro motivo da proibição na cidade de Longyearbyen?
O motivo principal é que o permafrost preserva os corpos e dificulta tanto a abertura das covas quanto a decomposição após o enterro. No inverno, o terreno pode ficar tão rígido que antigas sepulturas chegaram a exigir ferramentas pesadas e até explosivos para que os caixões fossem colocados no solo.
A preservação também levantou preocupações sanitárias e científicas, sobretudo por causa de vítimas da pandemia de influenza de 1918 enterradas no local. Sete trabalhadores noruegueses morreram depois que a doença chegou à comunidade mineradora e foram sepultados no terreno congelado, onde pesquisadores posteriormente tentaram localizar restos preservados.
- Solo congelado dificulta a abertura de covas profundas
- Corpos podem permanecer preservados por longos períodos
- Decomposição natural ocorre de forma extremamente lenta
- Antigas sepulturas passaram a exigir proteção especial
Para contextualizar a regra incomum, o canal Half as Interesting, que conta com mais de 2,93 milhões de inscritos no YouTube, apresenta por que o sepultamento foi interrompido em Longyearbyen e explica como o permafrost interfere no destino dos corpos. O material também esclarece a diferença entre proibir enterros e proibir alguém de morrer, alinhado ao tema tratado acima:
É realmente ilegal morrer nessa cidade do Ártico?
Não. Nenhuma pessoa recebe multa, punição ou processo por morrer em Longyearbyen. O que ocorre é a ausência de estrutura para sepultamentos convencionais e para tratamentos médicos complexos de longa duração. Pessoas gravemente doentes costumam ser transferidas para a Noruega continental, onde existem hospitais maiores e cemitérios preparados para receber os corpos.
Quando uma morte ocorre inesperadamente em Svalbard, o corpo geralmente é transportado para o continente por avião ou navio. Depois, a família pode realizar o funeral e o enterro em outro município norueguês. Em determinadas condições, cinzas de cremação podem receber autorização para permanecer no arquipélago, mas isso não equivale a reabrir o antigo cemitério para novos caixões.
O que existe hoje no antigo cemitério de Longyearbyen?
O cemitério histórico está localizado ao pé de uma encosta e reúne cruzes brancas simples, cercadas por uma estrutura feita com correntes e materiais ligados à antiga atividade mineradora. O local possui 34 sepulturas conhecidas e é tratado como patrimônio cultural, assim como outros vestígios humanos históricos encontrados em Svalbard.
A página oficial do Governador de Svalbard sobre a proteção do patrimônio cultural informa que sepulturas, cruzes, ossos e outros vestígios humanos recebem proteção automática em todo o arquipélago, independentemente da idade do material encontrado.
O permafrost da cidade de Longyearbyen preservou o vírus de 1918?
A possibilidade de encontrar material genético preservado motivou pesquisas no cemitério durante a década de 1990. Cientistas utilizaram registros históricos e radar de penetração no solo para localizar as sepulturas dos sete homens mortos em 1918. O objetivo era verificar se tecidos preservados poderiam ajudar no estudo da pandemia.
Os pesquisadores descobriram, porém, que os caixões estavam mais próximos da superfície do que se imaginava e que o solo ao redor podia ter descongelado parcialmente em alguns períodos. As investigações não demonstraram que um vírus ativo e perigoso estivesse escapando das sepulturas, portanto a ideia de cadáveres liberando a gripe de 1918 pela cidade é sensacionalista.
- Sete trabalhadores foram enterrados após morrerem de influenza
- Pesquisadores mapearam as sepulturas com radar
- O permafrost preservou parte das condições do terreno
- Não houve confirmação de vírus ativo se espalhando pelo local

Como a cidade lida com mortes e funerais atualmente?
Longyearbyen possui serviços básicos de saúde, mas não mantém toda a estrutura encontrada em grandes cidades norueguesas. Quando uma pessoa apresenta doença grave, necessidade de cuidados prolongados ou risco elevado de morte, a transferência para o continente costuma ser planejada. Em casos repentinos, as autoridades organizam a remoção do corpo depois das providências médicas e legais.
A regra demonstra como o ambiente ártico interfere até nos momentos mais humanos da vida. Em outras cidades, o solo recebe os mortos e permite que o tempo siga seu curso natural. Em Longyearbyen, a terra congelada interrompe esse processo, preserva a história e obriga a comunidade a levar seus mortos para longe. O motivo bizarro não é uma lei contra a morte, mas um terreno que simplesmente se recusa a devolver os corpos à natureza.
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