Menos de 5 mil moradores e o 1º lugar do Brasil em qualidade de vida: a cidade paulista onde a Embraer testa aviões na maior pista do Hemisfério Sul
A cidade que é campeã em qualidade de vida e também é polo aeroespacial
Quem caminha pelas ruas silenciosas de Gavião Peixoto reconhece os vizinhos pelo nome. Quem olha para o céu, vê protótipos de aeronaves cortando o ar sobre os laranjais. A cidade de pouco mais de 4,8 mil habitantes, no interior de São Paulo, lidera o ranking nacional de qualidade de vida e reúne uma combinação improvável de campo e tecnologia de ponta.
O título que a pequena cidade conquistou três vezes seguidas
Pelo terceiro ano consecutivo, Gavião Peixoto ficou em 1º lugar entre os 5.570 municípios brasileiros no Índice de Progresso Social Brasil 2026 (IPS Brasil), com nota 73,10 numa escala de 0 a 100. O levantamento avalia 57 indicadores sociais e ambientais, de saneamento a educação, e mede diretamente o bem-estar da população, não apenas a renda.
O desempenho aparece nos detalhes do cotidiano. A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos chega a 98,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos anos iniciais da rede pública é de 6,8. O porte reduzido ajuda: com poucos moradores, fica mais fácil distribuir recursos e acompanhar de perto cada indicador.

Uma colônia russa que a febre amarela quase apagou
A origem da cidade guarda um capítulo pouco conhecido. Criado como núcleo colonial em 12 de janeiro de 1907, em homenagem ao conselheiro Bernardo Avelino Gavião Peixoto, o povoado cresceu às margens do rio Jacaré-Guaçu com a chegada da ferrovia e de uma usina hidrelétrica.
Foi nessa fase que muitos imigrantes russos, fugindo da Revolução Russa de 1917, se instalaram na região. A colônia, porém, foi praticamente dizimada por uma epidemia de febre amarela, e hoje resta apenas um cemitério no bairro rural de Nova Paulicéia, conforme registra a Prefeitura de Gavião Peixoto. A laranja e a cana-de-açúcar sustentaram a economia local por décadas, antes da virada tecnológica.
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Como a Embraer transformou o destino do município
A mudança veio em outubro de 2001, quando a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) inaugurou ali uma de suas unidades mais estratégicas. Antes de decidir, a empresa avaliou cerca de 300 locais e escolheu Gavião Peixoto pelo relevo plano, pelo baixo tráfego aéreo e pela proximidade de centros de excelência como a Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O complexo se tornou referência em testes de aeronaves civis e militares. Sua pista, com cerca de 5 km de extensão, é descrita como a maior do Hemisfério Sul, usada para ensaios em voo dos jatos montados na unidade. A renda gerada pelo polo aeronáutico, somada à força do agronegócio, elevou o PIB per capita do município muito acima da média estadual.
Quem busca conhecer a realidade do interior paulista com foco em bem-estar, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Jr Longo, que conta com mais de 6,8 mil visualizações, onde o apresentador mostra a estrutura de Gavião Peixoto SP:
Por que vale a pena conhecer Gavião Peixoto
Gavião Peixoto prova que qualidade de vida não depende de tamanho. A cidade que quase desapareceu com uma epidemia hoje une laranjais, canaviais e tecnologia aeronáutica num cotidiano calmo e seguro.
Você precisa conhecer Gavião Peixoto e entender como uma cidade de poucos milhares de moradores virou a melhor do Brasil para viver.
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