Sánchez convoca protestos e rejeita resultado eleitoral no Peru
Grupo de esquerda nega legitimidade da apuração e chama população às ruas em Lima e em todo o país
A coalizão Juntos pelo Peru, do candidato esquerdista Roberto Sánchez, anunciou nesta terça-feira, 16 de junho, que não aceitará o resultado do segundo turno das eleições presidenciais e convocou mobilizações em escala nacional.
Com 99% das urnas apuradas, a candidata da direita, Keiko Fujimori, lidera com 50,09% dos votos, contra 49,91% de Sánchez — uma diferença de aproximadamente 33 mil votos em um universo de mais de 18 milhões de votos válidos.
Manifestações previstas para quarta e sexta-feira
A coalizão programou “plantões cidadãos e vigílias” para esta quarta-feira, 17, em cidades de todo o país. Para a sexta-feira, 19, o grupo convocou uma “grande mobilização nacional” na capital Lima, no Parque Campo de Marte, no distrito de Jesús María, com a presença esperada de delegações de todas as regiões, províncias e distritos do Peru. Segundo o Estadão, o próprio Sánchez pediu que os atos sejam “pacíficos e organizados”.
Acusações de irregularidades no processo
A coalizão Juntos pelo Peru denuncia a “falta de transparência dos órgãos que conduzem o processo eleitoral, a mudança das regras eleitorais no meio do processo, uma série de irregularidades, motivos para anulação e manobras político-midiáticas que ameaçam a justiça eleitoral e a vontade soberana do povo peruano”.
Ainda na última sexta-feira, 12, Sánchez havia proposto a Fujimori a realização de uma recontagem integral dos votos, alegando as mesmas suspeitas de opacidade no processo.
Contexto da disputa
O mapa eleitoral evidencia uma divisão regional pronunciada: Sánchez obteve desempenho superior na maior parte dos departamentos do interior, ao passo que Keiko concentrou seus votos em regiões mais populosas, com destaque para Lima, fator que tem sustentado sua vantagem na reta final da apuração.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori — condenado por crimes contra a humanidade —, disputa a presidência pela quarta vez. Sánchez, por sua vez, estreia em eleições presidenciais e é herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, preso após tentativa de autogolpe em 2022.
O vencedor assumirá o cargo em 28 de julho, substituindo o presidente interino José María Balcázar, para um mandato de cinco anos.
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