Artista russo anti-Putin é executado a tiros na Polônia
Dois cidadãos belarussos foram presos após o assassinato de Robert Kuzovkov, conhecido por caricaturas de líderes russos
Um artista russo radicado na Polônia foi morto com cinco disparos em um estacionamento na cidade de Biala Podlaska, leste do país, nesta segunda-feira, 15.
A vítima, Robert Kuzovkov, 44 anos, era conhecida pelo pseudônimo Semyon Skrepetsky, e havia construído reputação internacional por obras que satirizavam o ditador Vladimir Putin e outras figuras do poder russo.
Dois cidadãos de Belarus foram detidos nas imediações do consulado belarusso local em conexão com o crime.
Execução em estacionamento
De acordo com informações do porta-voz do Ministério Público do distrito de Lublin, Marcin Kozak, o ataque seguiu uma sequência metódica.
Um atirador não identificado abordou Kuzovkov e disparou dois tiros inicialmente: “Quando a vítima caiu no chão, o autor se aproximou, disparou mais três vezes e fugiu rapidamente do local”, relatou Kozak. Peritos recolheram na cena cinco cápsulas e um projétil.
Os dois belarussos detidos não haviam sido formalmente indiciados até a divulgação das informações.
Segundo Kozak, “eles permanecem à disposição do Ministério Público e da polícia”. Belarus, governada por um regime aliado de Moscou, tem sido associada a operações de inteligência russas em solo europeu.
Ativismo e exílio
Kuzovkov mudou-se para a Polônia em 2021, alegando risco de perseguição política na Rússia. No exterior, manteve atuação constante em eventos da oposição russa — à qual também dirigia críticas abertas — e produziu obras de forte teor político.
Entre seus trabalhos mais conhecidos está uma releitura de ícone ortodoxo que substitui a imagem tradicional da Virgem com o menino Jesus pela figura de Stalin carregando Putin.
Três dias antes de ser assassinado o artista participou de um protesto em frente à embaixada russa em Berlim, exibindo caricaturas de Putin e Stalin. Suas obras já haviam satirizado ainda o líder opositor Alexei Navalny, morto em uma prisão russa em 2024, e o governante checheno Ramzan Kadyrov.
Padrão de ataques a dissidentes
O episódio é mais um de uma sequência de mortes violentas de opositores russos fora do país.
Em 2018, o ex-agente duplo Sergei Skripal e sua filha foram envenenados no Reino Unido em ataque atribuído por Londres a agentes russos.
Em 2024, um piloto militar russo que havia desertado para a Ucrânia com seu helicóptero foi baleado na Espanha.
A Polônia, principal corredor logístico de apoio militar à Ucrânia, afirma ser alvo sistemático de espiões russos interessados tanto em coleta de informações quanto em atos de sabotagem — contexto que confere ao assassinato de Kuzovkov uma dimensão que vai além da eliminação de um dissidente individual.
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