“Me custou a acreditar”, diz Mendonça sobre morte de ‘Sicário’”
Ministro do STF diz ter assistido às cenas e revela que STF investigou hipótese de “queima de arquivo”
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira, 16, que “custou a acreditar” que o Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — conhecido como ‘Sicário’ e apontado como operador do banqueiro Daniel Vorcaro — tenha atentado contra a própria vida enquanto estava sob custódia da corporação.
Durante julgamento, Mendonça disse ter assistido às imagens do suicídio e revelou que chegou a cogitar a hipótese de que a morte pudesse ter sido uma “queima de arquivo”.
“Eu me lembro que foi um choque para todos nós a morte a morte do senhor Felipe Mourão, conhecido como ‘Sicário’. Me custou a acreditar que fosse um suicídio. Infelizmente eu tive que ver a cena, uma cena dura, ver um ser humano tirando a própria vida. Lamentável…
Mandamos investigar, ministro Kassio [Nunes Marques], com a suspeita de que pudesse ter sido uma queima de arquivo, alguma coisa do tipo, mas todos os indicativos, até agora, indicam que não foi isso. Foi um ato volutário dele. As razões nós não sabemos ao certo.”
Relembre o caso
Mourão foi detido na manhã do dia 4 de março, quando agentes federais cumpriram mandado de prisão preventiva no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, voltada a apurar fraude financeira, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
Na ocasião, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos, relógios, joias e uma pistola sem registro — posse que geraria um processo separado por porte ilegal de arma de fogo, caso ele ainda estivesse vivo.
Após ser conduzido à superintendência da PF em Belo Horizonte, Mourão passou por revista e foi recolhido à cela 2, no terceiro andar do edifício.
Ao meio-dia, foi levado para interrogatório, onde permaneceu por aproximadamente duas horas.
Por volta das 15h20, já de volta à cela, tentou se matar.
Resposta e desfecho
Cerca de dez minutos se passaram até que agentes percebessem o que havia ocorrido e iniciassem manobras de reanimação. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e chegou ao local por volta das 16h15.
Mourão foi encaminhado ao Hospital João XXIII, onde deu entrada às 17h56. Dois dias depois, a defesa confirmou a morte após o “encerramento do protocolo de morte encefálica”.
Com o envio do relatório ao STF, caberá à Corte analisar o material e definir os próximos passos. Nos bastidores, familiares e advogados aguardam a conclusão formal do inquérito para decidir se solicitarão uma apuração paralela sobre a morte ou se ingressarão com ação de indenização contra o Estado.
A defesa não quis se manifestar publicamente sobre o caso.
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