A bateria nuclear para celular criada na China mede apenas 15 milímetros e promete deixar as tomadas de lado por décadas
O pequeno dispositivo transforma energia nuclear em eletricidade e pode mudar a forma como aparelhos são carregados
Uma pequena caixa desenvolvida na China reúne um isótopo radioativo e camadas microscópicas de diamante para produzir eletricidade continuamente. O modelo BV100 promete funcionar por até 50 anos sem recarga ou manutenção, mas sua capacidade atual ainda está muito distante da energia exigida por um smartphone em uso cotidiano.
O que torna a BV100 tão diferente das baterias comuns?
A BV100 foi apresentada pela empresa chinesa Beijing Betavolt New Energy Technology em janeiro de 2024. O dispositivo mede aproximadamente 15 por 15 milímetros, tem 5 milímetros de espessura e ocupa menos espaço do que muitas moedas, embora carregue uma tecnologia normalmente associada a sondas espaciais e equipamentos científicos.
Diferentemente das baterias convencionais, ela não armazena energia recebida de uma tomada. O equipamento converte parte da energia liberada naturalmente pelo decaimento do níquel-63 em corrente elétrica. Enquanto o material radioativo continua se transformando, a bateria mantém uma pequena geração contínua, sem depender dos ciclos de carga e descarga comuns nas células de lítio.
A bateria nuclear para celular já consegue alimentar um smartphone?
Não, o modelo BV100 atual não consegue manter um celular funcionando sozinho. A unidade fornece apenas 100 microwatts, equivalentes a 0,0001 watt, com tensão de 3 volts. Um smartphone pode exigir alguns watts durante o funcionamento, principalmente quando utiliza tela, câmera, internet móvel, jogos ou aplicativos mais pesados.
Segundo a Live Science, um especialista da Universidade da Flórida calculou que a BV100 produz somente uma pequena fração da eletricidade necessária para um telefone. Na prática, dezenas de milhares de unidades poderiam ser necessárias para alcançar alguns watts, sem considerar perdas, circuitos de controle, espaço físico e proteção. A Betavolt defende que células podem ser combinadas, mas essa solução ainda não transforma o produto em uma bateria pronta para celulares.
- Potência contínua de 100 microwatts
- Tensão nominal de 3 volts
- Vida útil projetada de até 50 anos
- Dimensões aproximadas de 15 por 15 por 5 milímetros
Para explicar as possibilidades e as limitações dessa tecnologia, o canal Two Bit da Vinci, que conta com mais de 792 mil inscritos no YouTube, apresenta uma análise sobre as baterias nucleares chinesas e o uso de materiais radioativos em dispositivos compactos. O vídeo examina o funcionamento do modelo da Betavolt, a baixa potência disponível e as questões de segurança envolvidas, alinhado ao tema tratado acima:
Como o níquel-63 e o diamante conseguem produzir eletricidade?
O níquel-63 é uma forma radioativa do elemento químico níquel. Durante seu decaimento, um nêutron existente no núcleo se transforma e libera uma partícula beta, que corresponde a um elétron de alta energia. A BV100 direciona esses elétrons para materiais semicondutores capazes de convertê-los em uma corrente elétrica organizada e utilizável.
A estrutura anunciada pela Betavolt utiliza uma folha de níquel-63 com cerca de 2 micrômetros entre duas camadas de diamante monocristalino, cada uma com aproximadamente 10 micrômetros. O diamante funciona como semicondutor, e não como pedra decorativa. Ele recebe a energia das partículas liberadas e ajuda a gerar eletricidade continuamente, enquanto o níquel-63 se transforma gradualmente em cobre estável.
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Quais são os números da bateria nuclear para celular?
A longevidade é o principal diferencial da BV100, mas a tabela também evidencia o obstáculo que separa a tecnologia de um telefone sem carregador. A vida útil de décadas contrasta com uma potência extremamente pequena, mais adequada a sensores, dispositivos médicos específicos, microrrobôs e equipamentos que precisam de energia baixa e constante.
A Betavolt também anunciou a intenção de desenvolver uma versão de 1 watt, inicialmente prevista para 2025. Mesmo essa potência continuaria limitada diante dos picos de consumo de muitos celulares, mas representaria um avanço importante para ampliar as aplicações da tecnologia.
O que ainda impede o fim dos carregadores domésticos?
O principal obstáculo não está na duração, mas na quantidade de energia entregue a cada instante. Uma bateria pode funcionar por décadas e ainda assim não conseguir manter uma tela acesa, processar vídeos ou alimentar uma conexão de alta velocidade. Para substituir as baterias atuais, a tecnologia precisaria aumentar drasticamente a potência sem tornar o dispositivo grande, pesado ou caro.
A segurança também depende de testes independentes, encapsulamento adequado, resistência a impactos, regras para transporte e sistemas de descarte. A Betavolt afirma que o produto não apresenta radiação externa perigosa, não pega fogo e suporta temperaturas entre 60 graus negativos e 120 graus positivos, mas especialistas destacam que qualquer aplicação junto ao corpo exige proteção compatível com o material radioativo utilizado.
- Elevar a potência sem ampliar demais o tamanho
- Comprovar a segurança em diferentes tipos de acidente
- Cumprir normas para transporte e descarte de radioisótopos
- Reduzir custos para permitir o uso em produtos populares

Quando a bateria nuclear para celular poderá chegar ao uso cotidiano?
O caminho mais provável começa longe dos smartphones. Sensores instalados em locais remotos, equipamentos espaciais, dispositivos médicos, microrrobôs e sistemas industriais podem aproveitar melhor uma fonte que entrega pouca energia, mas trabalha continuamente por décadas. Nessas aplicações, trocar ou recarregar uma bateria pode ser caro, perigoso ou simplesmente impossível.
Para eliminar o carregador doméstico, a bateria nuclear para celular ainda precisará combinar duração extrema, potência elevada, preço acessível e aprovação regulatória. A BV100 não colocou as tomadas em extinção, mas demonstrou que um gerador de décadas pode caber em 15 milímetros. A verdadeira revolução começará quando essa longevidade deixar de alimentar apenas circuitos mínimos e conseguir acompanhar a energia exigida pelos aparelhos que as pessoas carregam no bolso.
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