Geólogos confirmam reserva de metal do futuro avaliada em US$ 1,5 trilhão dentro de um supervulcão
O depósito reúne cerca de 40 milhões de toneladas de um recurso cada vez mais disputado no mundo
Uma antiga cratera vulcânica entre Nevada e Oregon guarda uma concentração de lítio formada muito antes do surgimento da espécie humana. O volume estimado colocou a região entre os maiores depósitos conhecidos do planeta, mas a cifra de US$ 1,5 trilhão exige cuidado: ela representa uma avaliação bruta do metal no subsolo, não o lucro garantido de uma futura mineração.
Por que uma cratera de 16 milhões de anos voltou ao centro das atenções?
A McDermitt Caldera fica na fronteira entre os estados norte-americanos de Nevada e Oregon. A estrutura surgiu após uma enorme erupção ocorrida há cerca de 16,4 milhões de anos, durante uma fase antiga da atividade associada ao ponto quente que hoje alimenta o sistema de Yellowstone. A explosão lançou aproximadamente mil quilômetros cúbicos de material vulcânico e deixou uma depressão com cerca de 40 quilômetros de extensão.
Depois do colapso, um lago se formou dentro da cratera. Cinzas vulcânicas, fluidos quentes e soluções salinas circularam pelo sistema e transportaram lítio para os sedimentos acumulados no fundo. A atividade vulcânica terminou por volta de 16,1 milhões de anos atrás, mas o processo geológico deixou uma camada de argilas enriquecidas que seria reconhecida milhões de anos depois como um recurso estratégico.
Qual é a reserva de metal encontrada dentro da McDermitt Caldera?
A reserva de metal é formada por lítio concentrado em argilas vulcânicas, especialmente na área de Thacker Pass, no norte de Nevada. O lítio é usado em baterias recarregáveis de celulares, computadores, sistemas de armazenamento de energia e veículos elétricos, razão pela qual ganhou o apelido de metal do futuro.
A presença do elemento na cratera não foi descoberta repentinamente. Geólogos do U.S. Geological Survey, o USGS, já documentavam as concentrações locais na década de 1970. Estudos recentes ampliaram o conhecimento sobre a quantidade, a distribuição e o processo de enriquecimento do minério, enquanto perfurações e relatórios técnicos transformaram parte do depósito em recursos e reservas economicamente avaliados.
- Localização: Fronteira entre Nevada e Oregon, nos Estados Unidos
- Principal área mineralizada: Thacker Pass, no sul da McDermitt Caldera
- Metal encontrado: Lítio concentrado em minerais de argila
- Idade da formação: Aproximadamente 16,4 milhões de anos
Para explicar como a antiga erupção formou esse depósito gigantesco, o canal OzGeology, que conta com mais de 169 mil inscritos no YouTube, apresenta o vídeo Newly Discovered $1.5 Trillion Deposit Inside A Super Volcano. O material aborda a origem da McDermitt Caldera, a concentração do lítio nos sedimentos e a avaliação bilionária associada ao metal existente na região, alinhado ao tema tratado acima:
Como o lítio ficou concentrado nas argilas da antiga cratera?
Depois da erupção, a cratera funcionou como uma bacia fechada. O material vulcânico rico em lítio permaneceu dentro do sistema, enquanto fluidos quentes retiraram o elemento das rochas e o transportaram para o lago formado no interior da depressão. A evaporação e as reações químicas favoreceram a incorporação do metal aos minerais de argila.
O estudo publicado na revista científica Science Advances mostrou que a região sul da caldeira apresenta argilas com concentrações excepcionalmente elevadas. Em partes de Thacker Pass, alterações hidrotermais transformaram minerais do tipo esmectita em illita rica em lítio, aumentando a concentração do elemento em determinadas camadas.
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O que os números da reserva de metal revelam?
As estimativas precisam ser separadas em categorias. Recurso mineral representa material identificado com potencial de aproveitamento, enquanto reserva mineral corresponde à parcela que passou por avaliações técnicas e econômicas mais rigorosas. Os números abaixo se referem principalmente ao projeto Thacker Pass e não a toda a área da McDermitt Caldera.
O relatório técnico atualizado em dezembro de 2024 levou a empresa responsável pelo projeto a apresentar Thacker Pass como a maior reserva medida de lítio conhecida no mundo. A classificação, entretanto, refere-se ao depósito tecnicamente delimitado e não significa que todas as argilas ricas em lítio da caldeira serão transformadas em produto comercial.
Por que o depósito pode alterar o mercado de baterias e carros elétricos?
Os Estados Unidos dependem de cadeias internacionais para obter e processar grande parte dos minerais usados em baterias. Uma produção doméstica de grande escala poderia reduzir essa dependência, abastecer fábricas norte-americanas e aproximar a extração do lítio das montadoras e fabricantes de células de bateria.
O projeto também ganhou importância porque a General Motors participa da sociedade responsável por Thacker Pass. A primeira fase foi projetada para produzir 40 mil toneladas anuais de carbonato de lítio para baterias, enquanto uma expansão completa poderia alcançar 160 mil toneladas por ano. Ainda assim, transformar o depósito em fornecimento regular exige construção de instalações, processamento químico e controle dos impactos ambientais.
- Reduzir parte da dependência norte-americana de lítio importado
- Abastecer baterias para veículos elétricos e armazenamento de energia
- Atrair investimentos de fabricantes de automóveis e componentes
- Pressionar outros produtores a rever preços, projetos e capacidade industrial

A reserva de metal vale realmente US$ 1,5 trilhão?
A cifra de US$ 1,5 trilhão não aparece como avaliação econômica oficial no estudo da Science Advances. Ela resulta de cálculos jornalísticos que multiplicam uma quantidade estimada de lítio por determinado preço de mercado. O resultado pode mudar drasticamente conforme a cotação, a qualidade do minério, a recuperação industrial, os custos de energia, os impostos e o volume que realmente poderá ser extraído.
Também existem custos ambientais e sociais que não desaparecem diante do tamanho do depósito. Thacker Pass está em uma região de importância histórica e cultural para comunidades indígenas, e a mineração exige uso de água, movimentação de solo e processamento de grandes volumes de argila. O número trilionário mostra a escala geológica do achado, mas o verdadeiro valor dependerá de quanto metal poderá ser produzido com viabilidade econômica, controle ambiental e respeito às populações da região.
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