PF mapeia rede de empresas e repasses entre Vorcaro e grupo de Ciro
Relatório da PF inclui fluxogramas de pagamentos a empresas ligadas ao senador
Relatório da Polícia Federal (PF) detalha dois diagramas que mostram uma complexa rede de empresas e familiares envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Os documentos analisam um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf que reúne 350 comunicações consideradas suspeitas.
No centro do fluxograma está Ciro Nogueira, apontado como sócio da CNLF Empreendimentos Imobiliários LTDA, empresa que teria recebido três transferências que somam R$ 902.128,70 entre 15 de agosto de 2023 e 4 de agosto de 2024.
A CNLF tem como principal administrador Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do parlamentar.
No mesmo período, a empresa movimentou R$ 20.079.823,00, valor considerado incompatível com o faturamento anual declarado à instituição financeira, de R$ 832.354,00.
Segundo a PF, os valores coincidem com conversas apreendidas no celular de Vorcaro nas quais ele e seu primo Felipe Vorcaro discutem repasses mensais de R$ 300 mil (chegando a R$ 500 mil) à “parceria BRGD/CNLF”, com menções explícitas ao “Ciro”.
Além da CNLF, a investigação aponta transferências para outras empresas ligadas à família do senador, entre elas Ciro Nogueira Agropecuária e Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas.
“Como resultado, com especial destaque ao exame do Indexador 310,foi possível identificar elementos financeiros objetivamente demonstráveis que corroboram a hipótese de percepção de vantagem indevida pelo Senador da República CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO (subtópico 6.1 DAS VANTAGENS INDEVIDAS), em contexto diretamente vinculado aos interesses do grupo
econômico liderado por DANIEL BUENO VORCARO”, diz trecho do relatório.
No topo do fluxograma elaborado pela PF aparece Daniel Vorcaro, apontado como o principal elo financeiro da estrutura investigada.
A “mesada”
Em uma conversa, Felipe Vorcaro pergunta se deve “continuar pagando a parceria brgd (cnlf? 300k mês)”.
O ex-banqueiro responde de forma direta: “Sim”.
Em outra troca de mensagens, Daniel reclama que “atrasou dois meses ciro”.
Para a PF, há convergência temporal entre os diálogos e as transferências identificadas, além de coerência nos valores movimentados e referências explícitas que conectam as conversas aos repasses financeiros investigados.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)