Empresa de Nogueira recebeu R$ 3,5 milhões em depósitos em espécie de funcionário
Segundo a Polícia Federal, Relatório de Inteligência Financeira relacionado ao senador revela "múltiplas atipicidades"
A Polícia Federal (PF) afirma que a análise das comunicações constantes num Relatório de Inteligência Financeira (RIF) relacionado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) revela “múltiplas atipicidades“. O RIF aponta que uma empresa da qual o parlamentar é sócio, a CN Motos, recebeu 3,5 milhões de reais em espécie de um funcionário dela.
Foram 265 depósitos realizados por Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, em períodos coincidentes com transferências subsequentes da empresa à pessoa física do parlamentar.
“Em indexadores específicos, há inclusive registro de depósitos em espécie realizados pelo próprio CIRO NOGUEIRA, o que acentua a gravidade dos indícios de inserção direta de numerário no sistema formal”, acrescenta a PF.
A corporação ressalta que o padrão identificado é tipicamente associado a tentativa de burla aos mecanismos de controle e rastreabilidade do sistema financeiro.
As informações contam em representação da PF, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça.
O documento diz ainda que empresas pertencentes ou controladas pelo núcleo familiar de Ciro Nogueira – principalmente CNLF, CN MOTOS, CIRO NOGUEIRA AGROPECUÁRIA E IMÓVEIS LTDA. e outras – desempenham, em tese, “papel central na mesclagem de recursos, ao misturar valores de origem não claramente identificada com receitas aparentes de atividades empresariais lícitas”.
A PF afirma que “essa dinâmica confere aparência de legalidade aos fluxos financeiros, ao passo que permite a circulação interna de grandes volumes de recursos, muitas vezes dissociados da capacidade operacional, do faturamento declarado ou da estrutura física das empresas”.
Posteriormente, prossegue a corporação, “esses valores são redistribuídos ao próprio Senador sob a forma de transferências empresariais, mascarando, em tese, a real natureza do ingresso patrimonial“.
A PF pontua que, além de reforçar os indícios relacionados ao recebimento de vantagens indevidas, a análise integrada das comunicações do RIF “permitiu identificar a existência de três
estruturas recorrentes e interligadas, utilizadas, em tese, para a ocultação, dissimulação e
posterior reinserção de recursos cuja origem se mostra incompatível com a capacidade
econômico‑financeira formal dos envolvidos, tendo como beneficiário final o Senador Ciro Nogueira”.
Essas estruturas operam de forma complementar e coordenada, valendo‑se, por exemplo, do ingresso sistemático de dinheiro em espécie, da utilização de empresas do núcleo familiar como instrumentos de mesclagem e da interposição de agentes públicos e políticos como forma de mitigação da rastreabilidade dos fluxos financeiros.
“Como resultado, com especial destaque ao exame do Indexador 310, foi possível identificar elementos financeiros objetivamente demonstráveis que corroboram a hipótese de percepção de vantagem indevida pelo Senador da República Ciro Nogueira, tanto no contexto do pagamento mensal de R$ 300.000,00 [de Daniel Vorcaro] quanto na aquisição de participação societária realizada com expressivo deságio”, diz a PF.
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Comentários (1)
Ita
16.06.2026 19:29Político sendo acusado, comprova-se e aí???? Ciro Nogueira um dos poderosos...