Universalização do saneamento pode gerar 4,6 milhões de empregos
Pesquisa do MIT projeta impactos econômicos, ambientais e educacionais da expansão dos serviços de água e esgoto no estado de SP
A universalização do saneamento básico no estado de São Paulo tem potencial para movimentar R$ 330 bilhões no PIB brasileiro até 2060, gerar mais de quatro milhões de postos de trabalho e reduzir emissões de gases de efeito estufa equivalentes a mais da metade do que a capital paulista lança na atmosfera por ano.
É o que aponta um estudo da MIT Technology Review elaborado a partir do caso da Sabesp, companhia estadual de água e esgoto.
Investimento em alta após privatização
Desde a desestatização da Sabesp, em 2024, os aportes no setor cresceram 120%. Segundo o estudo, apenas em 2025 foram investidos R$ 15,2 bilhões — ante R$ 6,9 bilhões no ano anterior. O plano da companhia projeta R$ 260 bilhões em aplicações até 2060.
Ao fim do primeiro trimestre de 2026, as metas de acesso à água, coleta e tratamento de esgoto alcançavam, respectivamente, 87%, 77% e 71%. A meta é universalizar os serviços até 2029, quatro anos antes do prazo nacional estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento.
Da escola ao meio ambiente
Os reflexos do saneamento vão além da infraestrutura, e o impacto aparece até mesmo no aproveitamento escolar. De acordo com informações da Agência SP, jovens que vivem em domicílios com banheiro próprio obtêm desempenho superior no ENEM, principalmente em matemática e redação.
Dados do Painel Saneamento Brasil citados no estudo indicam que alunos com acesso a saneamento em casa têm escolaridade média de 8,49 anos, contra 5,31 anos entre aqueles sem esse acesso.
Na renda, a diferença também é expressiva: trabalhadores em áreas atendidas pelo serviço recebem, em média, R$ 3.359 mensais, enquanto os sem cobertura ficam em R$ 2.103.
No campo ambiental, a Sabesp projeta uma redução de até 9,1 milhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2050, combinando a expansão da rede com tecnologias menos emissoras nas estações de tratamento. O volume corresponde a cerca de 62% das emissões anuais da cidade de São Paulo.
O estudo observa que o esgoto não coletado libera gases de efeito estufa de forma difusa em rios e corpos d’água, “sem possibilidade de controle”, ao passo que o tratamento centralizado “permite medir e reduzir essas emissões com tecnologia”.
Saúde como termômetro econômico
A Organização Mundial da Saúde estima que “para cada US$ 1 investido em água e saneamento, há economia de US$ 4,3 em custos de saúde”.
No caso específico do Rio Pinheiros, os benefícios sociais e econômicos da expansão do saneamento somaram cerca de R$ 25 bilhões — superando em quase R$ 8 bilhões os custos registrados no mesmo intervalo, segundo a pesquisa.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Rosa
16.06.2026 17:25Se é assim, porquê não se faz no Brasil inteiro?