Um novo polvo Dumbo é descoberto no Pacífico profundo, e a nova espécie mostra que o fundo do mar ainda guarda surpresas
A descoberta reforça como cada mergulho extremo ainda pode revelar animais que a ciência nunca tinha registrado
Uma expedição científica encontrou, sobre uma montanha submersa, um pequeno animal de corpo gelatinoso que parecia voar lentamente na escuridão. A análise revelou uma espécie que nunca havia recebido nome científico, reforçando quanto ainda falta conhecer sobre as regiões mais profundas do oceano.
Por que essa descoberta chamou tanta atenção dos pesquisadores?
O animal foi localizado durante uma expedição realizada em 2017 no Monte Submarino Caroline, uma elevação do fundo oceânico situada no Pacífico Ocidental. O exemplar estava a 1.240 metros de profundidade, onde a luz solar não chega, a temperatura permanece baixa e a pressão da água é muito superior à encontrada na superfície.
Naquele momento, os pesquisadores perceberam que se tratava de um polvo do gênero Grimpoteuthis, grupo conhecido popularmente como polvo Dumbo por causa das duas nadadeiras laterais que lembram orelhas. A confirmação de que o animal representava uma espécie desconhecida, porém, exigiu anos de comparação anatômica e genética.
Qual é o novo polvo Dumbo encontrado no Pacífico profundo?
O novo polvo Dumbo recebeu o nome científico de Grimpoteuthis feitiana. Ele foi descrito oficialmente em 2025 pelos pesquisadores Yan Tang, Xiaodong Zheng e Junlong Zhang, após a análise detalhada do único exemplar conhecido. O estudo foi publicado na revista científica Organisms Diversity & Evolution.
No ambiente natural, o corpo do animal foi estimado em aproximadamente 40 centímetros. Depois de coletado, o exemplar preservado apresentou 21,26 centímetros de comprimento e peso de 36,5 gramas. Seu corpo possui formato semelhante ao de um sino, textura semigelatinosa e coloração translúcida entre laranja e avermelhada.
- Nome científico: Grimpoteuthis feitiana
- Local do achado: Monte Submarino Caroline, no Pacífico Ocidental
- Profundidade registrada: 1.240 metros
- Ano da descrição científica: 2025
Para mostrar como esses animais se movimentam em grandes profundidades, o canal EVNautilus, que conta com mais de 676 mil inscritos no YouTube, apresenta o vídeo Orange Dumbo Octopus. O material registra um polvo Dumbo alaranjado nadando a aproximadamente 1.400 metros de profundidade, cercado pela chamada neve marinha, enquanto movimenta as nadadeiras e os braços de forma semelhante à espécie recém-descrita, alinhado ao tema tratado acima:
Como o novo polvo Dumbo foi reconhecido como uma espécie diferente?
Os cientistas combinaram observações externas, análise dos órgãos internos, comparação com outras espécies e sequenciamento do genoma mitocondrial. Entre as características consideradas estavam o formato da concha interna, a posição e o tamanho das nadadeiras, o comprimento dos braços, o número de ventosas e a estrutura da membrana que liga os membros.
Um dos detalhes mais importantes foi a superfície levemente côncava da região central da concha interna. Outros integrantes do gênero apresentam essa área plana ou convexa. A nova espécie também possui entre 66 e 69 ventosas em cada braço, além de diferenças na rádula, nas brânquias, nas glândulas salivares e nos pequenos filamentos sensoriais chamados cirros.
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O que diferencia essa espécie de outros animais das profundezas?
O Grimpoteuthis feitiana reúne estruturas adequadas a um ambiente onde economizar energia é essencial. Suas nadadeiras laterais ajudam no deslocamento, enquanto a membrana entre os braços pode se contrair e se expandir para gerar impulso. Quando o veículo operado remotamente se aproximou, o animal levantou do fundo e começou a nadar, mas não apresentou movimentos rápidos.
A análise do DNA também identificou sinais de seleção em genes ligados ao funcionamento das mitocôndrias. Os pesquisadores consideram que essas alterações podem estar relacionadas à produção e ao uso de energia em condições de baixa temperatura, pouco oxigênio, escuridão permanente e elevada pressão.
Como o novo polvo Dumbo consegue viver sob tanta pressão?
Em vez de nadar rapidamente como muitos animais de águas rasas, o polvo Dumbo se movimenta com lentidão. Ele bate as nadadeiras, flexiona os braços e aproveita a membrana entre os membros para controlar a direção. Essa estratégia reduz o gasto energético em um ambiente onde encontrar alimento pode exigir longos períodos de espera e deslocamento.
O nome feitiana foi inspirado em Feitian, figura celestial representada nas pinturas das cavernas de Mogao, na China. Essas figuras aparecem dançando e voando com tecidos esvoaçantes, imagem que os pesquisadores associaram ao modo delicado como o animal parece flutuar sobre o fundo marinho.
- Bater as nadadeiras laterais para controlar o deslocamento
- Expandir a membrana dos braços para aproveitar a resistência da água
- Manter movimentos lentos para reduzir o consumo de energia
- Usar adaptações metabólicas para suportar frio, pressão e pouca comida

Por que o fundo do mar ainda esconde tantas espécies?
O caso mostra a dificuldade de estudar regiões profundas. O exemplar foi coletado em 2017, mas sua descrição científica só foi publicada em abril de 2025. Foi necessário transportar um veículo operado remotamente até uma montanha submarina, registrar o animal em seu habitat e depois realizar análises anatômicas, moleculares e evolutivas.
Até agora, a espécie é conhecida por apenas um indivíduo e um único ponto do Pacífico Ocidental. Isso não significa necessariamente que seja extremamente rara, mas revela como a amostragem do fundo oceânico ainda é limitada. Cada nova expedição pode encontrar organismos que viveram por milhares de anos sem jamais terem sido vistos, classificados ou nomeados pela ciência.
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