EUA propõem R$ 1,5 tri ao Irã por paz e controle nuclear
Financial Times revela proposta americana de fundo bilionário para o Irã em troca de cessar-fogo e inspeções nucleares
Uma proposta de até 300 bilhões de dólares, 1,5 trilhão de reais, pela cotação atual, colocou a reconstrução econômica do Irã no centro de um acordo que mistura cessar-fogo, sanções, comércio de petróleo e restrições nucleares.
O valor chamou atenção porque supera amplamente programas internacionais recentes voltados a países afetados por guerras. A informação foi detalhada por correspondentes do jornal britânico Financial Times.
Segundo autoridades ouvidas pelo jornal, integrantes do governo dos EUA discutem a criação de um fundo de investimentos destinado à reconstrução do Irã.
O dinheiro não viria diretamente do Tesouro americano, mas de investidores privados e de parceiros internacionais interessados em projetos futuros no país.
O ponto mais sensível envolve o programa nuclear iraniano. A proposta prevê que o acesso aos benefícios econômicos dependa do cumprimento de metas verificáveis. Entre elas estaria o destino dos estoques de urânio enriquecido acumulados pelo Irã ao longo dos últimos anos.
Teerã poderia obter acesso ao fundo caso concorde em abrir mão de seu estoque de combustível nuclear enriquecido. A medida seria acompanhada por monitoramento da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão das Nações Unidas responsável por inspeções nucleares.
Dados citados nas negociações indicam que o Irã possuía mais de 9 toneladas de material enriquecido, incluindo cerca de 440 quilos enriquecidos a 60%, nível próximo ao necessário para uso militar.
Autoridades ocidentais afirmam que esse estoque é um dos principais obstáculos para um acordo definitivo. O governo iraniano sustenta que seu programa tem finalidade civil.
O memorando atualmente discutido prevê ainda uma extensão do cessar-fogo por 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação comercial e novas negociações sobre limitações nucleares permanentes.
Ao descrever os incentivos oferecidos ao Irã, uma autoridade citada pelo Financial Times mencionou a possibilidade de “um grande fundo de US$ 300 bilhões para reconstruir o país”. A frase ajuda a explicar por que o aspecto econômico ganhou destaque semelhante ao das cláusulas militares e nucleares.
Nem todos os detalhes estão definidos. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou em entrevista nesta segunda, 15, que o memorando funciona como uma estrutura geral e que diversos mecanismos de implementação ainda precisam ser negociados, e que o dinheiro não viria dos contribuintes americanos.
Parlamentares americanos de ambos os partidos pediram mais informações sobre fiscalização, cronogramas e condições para liberação dos recursos.
Também permanece indefinido quem financiaria a maior parte do fundo. Relatos publicados desde maio apontam para a participação potencial de investidores internacionais, empresas interessadas em infraestrutura, energia e reconstrução urbana, e de países do Golfo, muitos dos quais sofreram prejuízos bilionários com os ataques iranianos. O desenho financeiro completo ainda não foi divulgado oficialmente.
Enquanto negociadores trabalham em um acordo final previsto para ser formalizado em Genebra, o valor de 1,5 trilhão de reais se tornou um dos elementos mais observados das conversas.
O montante é tratado como incentivo econômico para garantir o cumprimento de compromissos que incluem inspeções nucleares, restrições ao enriquecimento de urânio e estabilidade na principal rota petrolífera da região.
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