Os polvos têm nove cérebros, três corações e sangue azul, mas o detalhe mais estranho está nos braços que decidem sozinhos
A anatomia desse animal parece impossível e revela um sistema nervoso muito diferente de tudo que conhecemos
Eles mudam de cor, atravessam pequenas aberturas e manipulam objetos com uma precisão incomum entre os invertebrados. O aspecto mais surpreendente, porém, está na forma como o sistema nervoso se espalha pelo corpo, permitindo que os oito braços processem estímulos e executem movimentos com relativa independência.
Por que a anatomia dos polvos parece tão diferente da nossa?
O corpo desses moluscos não possui esqueleto interno nem externo, o que permite contorções difíceis de imaginar em animais vertebrados. A única estrutura rígida relevante é o bico localizado na região da boca. Por isso, um exemplar consegue passar por uma abertura pouco maior que essa parte do corpo, desde que encontre espaço suficiente para movimentar os braços.
A ausência de ossos também criou um desafio evolutivo. Controlar oito braços flexíveis, cobertos por centenas de ventosas e capazes de se dobrar em praticamente qualquer direção, exigiria um esforço enorme de um cérebro totalmente centralizado. A solução encontrada pela natureza foi distribuir parte importante do processamento nervoso pelo próprio corpo.
Os polvos realmente têm nove cérebros, três corações e sangue azul?
Os polvos não possuem nove cérebros completos e idênticos: eles têm um cérebro central e oito grandes sistemas nervosos distribuídos pelos braços, característica que popularizou a expressão “nove cérebros”. Estimativas frequentemente citadas indicam cerca de 500 milhões de neurônios no sistema nervoso, com aproximadamente dois terços deles localizados fora do cérebro central.
Os três corações e o sangue azul, por outro lado, são características literais. Dois corações chamados branquiais enviam sangue para as brânquias, enquanto o coração sistêmico distribui o sangue oxigenado pelo restante do organismo. A cor azul aparece porque o transporte de oxigênio depende da hemocianina, molécula que contém cobre, e não da hemoglobina rica em ferro encontrada no sangue humano.
- Um cérebro central responsável por integrar informações, memória e decisões gerais
- Oito sistemas nervosos nos braços, ligados a movimentos, ventosas e estímulos locais
- Três corações, sendo dois branquiais e um sistêmico
- Sangue azul devido à presença da hemocianina à base de cobre
Para aprofundar essa anatomia incomum, o canal Paulo Jubilut, que reúne mais de 3,7 milhões de inscritos no YouTube, apresenta o vídeo A BIZARRA biologia do POLVO. O material aborda a inteligência do animal, sua capacidade de escapar de ambientes fechados e as características que tornam seu corpo tão diferente, alinhado ao tema tratado acima:
Como os braços conseguem agir sem esperar uma ordem central?
Cada braço contém um cordão nervoso axial, uma estrutura extensa que percorre seu comprimento e forma regiões especializadas próximas às ventosas. Uma pesquisa divulgada pela Universidade de Chicago mostrou que esse sistema apresenta uma organização segmentada, capaz de coordenar movimentos e informações sensoriais em diferentes partes do braço.
Isso não significa que cada braço tenha personalidade própria ou ignore completamente o cérebro central. O controle funciona de maneira compartilhada. O cérebro pode definir uma tarefa, como alcançar uma pedra ou capturar uma presa, enquanto os circuitos periféricos ajustam localmente a posição das ventosas, a força aplicada e a trajetória necessária para cumprir a ação.
Leia também: O Everest é o mais alto acima do nível do mar, mas o ponto mais próximo do espaço fica em outra montanha no Equador
O que cada parte desse corpo extraordinário faz?
A divisão de funções permite que o animal responda rapidamente ao ambiente sem obrigar o cérebro central a calcular cada dobra ou contração muscular. A tabela mostra como cérebro, braços, ventosas, corações e sangue participam desse sistema integrado.
Nenhuma dessas estruturas opera completamente isolada. O desempenho impressionante surge justamente da comunicação entre o comando central e os circuitos locais, que dividem uma tarefa complexa em respostas menores e mais rápidas.
Como os polvos usam essa inteligência distribuída para sobreviver?
Enquanto um braço investiga uma fresta, outro pode apoiar o corpo, manipular uma concha ou responder a uma ameaça próxima. As ventosas não funcionam apenas como dispositivos de aderência. Elas também coletam informações mecânicas e químicas, ajudando o animal a reconhecer texturas e substâncias diretamente pelo contato.
Essa arquitetura ajuda a explicar comportamentos como abrir recipientes, remover obstáculos, explorar esconderijos e capturar presas protegidas por conchas. O cérebro acompanha o objetivo geral, mas não precisa comandar individualmente cada uma das centenas de ventosas envolvidas na operação.
- Explorar pequenas cavidades enquanto outros braços sustentam o corpo
- Ajustar a força das ventosas conforme a textura da superfície
- Manipular conchas, pedras e objetos encontrados no ambiente
- Reagir rapidamente a estímulos locais antes de uma resposta corporal completa

O que esse sistema nervoso revela sobre outras formas de inteligência?
Durante muito tempo, pesquisadores usaram principalmente cérebros de vertebrados como referência para estudar cognição. O polvo mostra que capacidades avançadas também podem surgir em uma estrutura radicalmente diferente, com grande parte do processamento distribuída pelos membros em vez de concentrada apenas na cabeça.
Os braços não são criaturas separadas e também não pensam exatamente como um cérebro humano. Ainda assim, eles sentem, processam informações e organizam movimentos localmente. O verdadeiro mistério dos polvos não está apenas na quantidade de corações ou na cor do sangue, mas em um corpo no qual pensar e agir acontecem quase no mesmo lugar.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)