Estudo de DNA antigo em 54 recém-nascidos revela que os povos ibéricos mantiveram sua identidade genética quase intacta por 600 anos, apesar do contato com fenícios, gregos e cartagineses
Apesar dos intensos contatos comerciais com fenícios, gregos e cartagineses, os ibéricos mantiveram praticamente o mesmo perfil genético durante cerca de seis séculos.
Uma análise genética de 54 bebês encontrados em antigos assentamentos da Península Ibérica revelou uma descoberta surpreendente: apesar dos intensos contatos comerciais com fenícios, gregos e cartagineses, os povos ibéricos mantiveram praticamente o mesmo perfil genético durante cerca de seis séculos.
A pesquisa oferece uma das reconstruções mais detalhadas já feitas sobre a origem e a evolução dessas populações antes da chegada dos romanos.
Os povos ibéricos permaneceram geneticamente quase inalterados por séculos
Os pesquisadores descobriram que as comunidades do nordeste da Península Ibérica apresentaram uma continuidade genética impressionante entre a Idade do Ferro e o início da dominação romana.
A expectativa era encontrar sinais mais fortes de migrações externas, mas isso não aconteceu.
Mesmo com a circulação de mercadorias, culturas e ideias vindas de diferentes regiões do Mediterrâneo, a população local preservou sua identidade biológica ao longo do tempo.
Un estudio de ADN antiguo en 54 recién nacidos muestra que los íberos mantuvieron casi intacta su identidad genética durante 600 años, pese al contacto con fenicios, griegos y cartagineses https://t.co/k53amnhvoY
— IndePESTE en el Nordeste (@_INDEPEStilence) June 15, 2026
Por que os cientistas estudaram bebês dos povos ibéricos em vez de adultos?
A resposta está nos costumes funerários dos povos ibéricos. A maioria dos adultos era cremada após a morte, o que dificulta a preservação do DNA para pesquisas modernas.
Já alguns recém-nascidos eram enterrados sob residências e áreas produtivas, permitindo que seus restos fossem preservados por milhares de anos e analisados pelos pesquisadores.
O estudo revelou descobertas que surpreenderam os especialistas
A análise dos genomas permitiu identificar padrões que ajudam a reconstruir a história populacional da região.
Entre os principais achados estão:
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🧬 O estudo revelou descobertas que surpreenderam os especialistas
Análises genéticas de restos humanos antigos revelaram padrões inesperados que ajudam a recontar a história dos povos iberos antes da chegada de Roma.
Esses resultados mostram que mudanças culturais nem sempre significam transformações imediatas na composição genética de uma população.
A chegada de Roma mudou o cenário pela primeira vez
O quadro começou a se transformar quando os romanos passaram a exercer influência direta sobre a região.
Os pesquisadores observaram uma mistura genética muito mais ampla nos indivíduos associados ao período romano.
Essa diversidade reflete o intenso movimento de pessoas promovido pelo Império Romano, que conectava diferentes territórios da Europa, do Mediterrâneo e do Norte da África.
O DNA está reescrevendo a história dos povos pré-romanos
Os resultados reforçam a ideia de que a história nem sempre é marcada por grandes substituições populacionais. Em muitos casos, as transformações ocorreram de forma gradual, ao longo de gerações.
Ao combinar genética e arqueologia, os cientistas conseguiram revelar detalhes invisíveis nos objetos e monumentos antigos, oferecendo uma nova visão sobre uma das civilizações mais importantes da Península Ibérica antes de Roma.
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