Governador da Califórnia acusa Trump de perseguição política
Gavin Newsom, um dos nomes democratas para disputar a presidência dos EUA em 2028, diz que investigação quer desgastá-lo até eleição
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, revelou nesta segunda-feira, 15, a existência de investigações federais contra sua família, e afirmou que agentes do governo dos Estados Unidos interrogaram aliados seus e examinaram as finanças de sua esposa, Jennifer Siebel Newsom.
O democrata, apontado como potencial candidato à presidência americana em 2028, responsabiliza diretamente o presidente Donald Trump pela iniciativa, vista como um instrumento de pressão política contra um oponente em ascensão.
Investigações atingem organizações da primeira-dama
Segundo o gabinete de Newsom, ex-funcionários do governador e pessoas vinculadas às entidades sem fins lucrativos lideradas por Jennifer foram ouvidos por agentes federais.
As apurações incluem ao menos uma linha de investigação sobre as finanças da documentarista, que dirige a Representation Project, organização voltada à promoção da igualdade de gênero, e a produtora Girls Club Entertainment, empresa listada como fornecedora de serviços audiovisuais da própria entidade.
Registros fiscais mostram que, em 2024, a ONG transferiu US$ 161.250 à produtora a título de serviços de produção.
Jennifer também é cofundadora da California Partners Project, que busca ampliar a presença feminina em conselhos corporativos e reduzir diferenças salariais.
Parte dos financiadores da organização mantém negócios ou interesses regulatórios junto ao governo estadual — circunstância que alimenta, há anos, questionamentos sobre eventuais conflitos de interesse, embora nenhuma irregularidade tenha sido comprovada publicamente.
Governo Trump nega motivação política
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Newsom afirmou que a investigação vai além de disputas retóricas: “Donald Trump não está apenas atrás de mim por causa dos meus tweets agressivos. Ele está atrás de mim porque estou considerando concorrer à Presidência. Para me atingir, está perseguindo minha esposa”.
O governador classificou as diligências como uma “expedição de pesca” — expressão americana para investigações amplas sem alvo definido —, alegando que agentes examinam “anos e anos de documentos aleatórios” sem apontar crime específico.
De acordo com informações do gabinete de Newsom, assessores acreditam que registros bancários também foram objeto de intimação, embora não disponham de documentação formal que confirme essa hipótese.
Uma fonte anônima familiarizada com o caso contestou a narrativa do governador: afirmou que as investigações partiram de autoridades federais sediadas na Califórnia, sem direcionamento de Washington, e negou qualquer motivação política.
FBI e Departamento de Justiça se recusaram a se pronunciar. A Casa Branca redirecionou questionamentos ao próprio Departamento de Justiça.
O caso se soma a um processo anterior envolvendo Dana Williamson, ex-chefe de gabinete de Newsom, que se declarou culpada por mentir ao FBI — sem que irregularidades fossem atribuídas ao governador.
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