Singapura cobre um reservatório com 122 mil painéis solares flutuantes para reduzir uma dependência de energia que pesa sobre o país
A gigantesca estrutura ocupa cerca de 111 acres e transforma a superfície da água em uma fonte de eletricidade limpa
Em um território pequeno, densamente ocupado e com poucas áreas disponíveis para grandes usinas, produzir energia renovável exige soluções fora do padrão. Singapura instalou mais de 122 mil módulos solares no Reservatório de Tengeh, formando uma usina de 60 megawatts-pico sobre a água, sem retirar o reservatório de sua função original.
Por que Singapura precisa aproveitar até a superfície da água?
Singapura possui território limitado, alta densidade urbana e poucas condições naturais para ampliar algumas fontes renováveis. Grandes hidrelétricas, parques eólicos extensos e usinas solares convencionais disputariam áreas necessárias para moradias, indústrias, estradas, aeroportos e sistemas de abastecimento.
Ao mesmo tempo, o país importa praticamente toda a energia que consome e produz cerca de 95% de sua eletricidade com gás natural importado. Essa concentração torna o sistema sensível às mudanças internacionais de preço, disponibilidade e transporte do combustível, pressionando o planejamento energético e a busca por alternativas locais.
Como funcionam os painéis solares flutuantes instalados em Tengeh?
Os 122 mil painéis formam a Sembcorp Tengeh Floating Solar Farm, uma usina fotovoltaica de 60 MWp distribuída por aproximadamente 45 hectares do Reservatório de Tengeh. A estrutura ocupa cerca de um terço da superfície da água e foi dividida em dez grandes ilhas solares flutuantes.
A usina foi oficialmente inaugurada em julho de 2021, após um projeto desenvolvido pela agência nacional de águas PUB em parceria com a Sembcorp Floating Solar Singapore. A energia entra na rede elétrica e tem capacidade equivalente ao consumo anual de aproximadamente 16 mil apartamentos de quatro cômodos do padrão habitacional público local.
- Gerar eletricidade sem ocupar grandes terrenos urbanos
- Aproveitar uma superfície que já pertence ao sistema público de água
- Alimentar as cinco estações locais de tratamento de água
- Reduzir aproximadamente 32 mil toneladas de emissões por ano
Para mostrar a estrutura em funcionamento, o canal CNA, que conta com mais de 3,1 milhões de inscritos no YouTube, apresenta imagens aéreas da usina de Tengeh e explica como os 122 mil módulos podem fornecer energia equivalente à demanda das estações de tratamento de água do país. O vídeo também mostra a dimensão das ilhas solares e sua integração ao reservatório, alinhado ao tema tratado acima:
Como a água pode favorecer a geração de eletricidade?
Os painéis não permanecem diretamente em contato com a água. Eles são fixados sobre flutuadores resistentes e conectados por passarelas, cabos, estruturas de ancoragem e equipamentos elétricos. O conjunto precisa acompanhar pequenas mudanças no nível do reservatório sem se deslocar excessivamente com o vento ou com o movimento da superfície.
A água ajuda a manter o ambiente ao redor dos módulos mais fresco do que muitos telhados expostos ao calor urbano. Como o desempenho fotovoltaico pode cair quando a temperatura dos equipamentos sobe demais, esse efeito de resfriamento contribui para a eficiência. Segundo a agência nacional de águas de Singapura, sistemas solares flutuantes testados no país produziram entre 5% e 15% mais do que instalações típicas em telhados, também por não enfrentarem sombras de edifícios próximos.
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Quanto os painéis solares flutuantes ocupam e produzem?
A superfície coberta é extensa, mas não toma todo o reservatório. Aproximadamente dois terços da água permaneceram sem módulos, permitindo a continuidade de áreas abertas para circulação de ar, entrada de luz e presença de animais. Os 45 hectares ocupados equivalem a cerca de 45 campos de futebol.
A geração varia durante o dia conforme radiação solar, nuvens, temperatura e condições técnicas. Os 60 MWp representam a capacidade de pico da usina, e não uma produção constante durante as 24 horas.
Quais cuidados protegem o reservatório e a vida aquática?
Instalar uma estrutura desse tamanho sobre água destinada ao sistema público exigiu avaliações ambientais e acompanhamento da qualidade do reservatório. Os flutuadores foram produzidos com polietileno de alta densidade de padrão alimentar e resistência à radiação ultravioleta, reduzindo o risco de degradação pelo sol intenso.
Os módulos também receberam revestimento antirreflexo, enquanto espaços entre as fileiras permitem a passagem de luz e ar. Aeradores ajudam a conservar os níveis de oxigênio dissolvido, e áreas abertas continuam disponíveis para animais que utilizam o reservatório para alimentação e deslocamento.
- Monitorar continuamente a qualidade da água e dos sedimentos
- Manter intervalos para entrada de luz e circulação do ar
- Utilizar aeradores para preservar o oxigênio dissolvido
- Deixar dois terços da superfície sem cobertura solar

Os painéis solares flutuantes reduzem de fato a dependência energética?
A usina de Tengeh reduz o uso de eletricidade produzida com combustíveis fósseis nas operações ligadas ao tratamento de água e evita parte das emissões associadas. Também demonstra como reservatórios podem ter uma segunda função em países onde o preço e a disponibilidade de terrenos limitam a expansão solar.
Entretanto, uma instalação de 60 MWp não elimina a dependência nacional do gás importado. Em 2024, o gás natural ainda representava 94% da matriz usada para gerar eletricidade em Singapura, enquanto a energia solar respondia por pouco mais de 2%. O impacto de Tengeh está em abrir espaço para uma fonte doméstica onde quase não havia terreno disponível, transformando parte de um reservatório em infraestrutura energética sem deixar de produzir água tratada.
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