Sob as Blue Mountains, no Oregon, um único fungo vem se espalhando pelas raízes da floresta há milhares de anos e hoje ocupa quase 10 quilômetros quadrados
Entre as montanhas azuis do leste do Oregon, nos Estados Unidos, uma imensa colônia do fungo Armillaria ostoyae se espalha sob o solo
Entre as montanhas azuis do leste do Oregon, nos Estados Unidos, uma imensa colônia do fungo Armillaria ostoyae se espalha sob o solo da Floresta Nacional de Malheur. Conhecido como “fungo-do-mel”, esse organismo cresce há séculos entre raízes de árvores, quase invisível, revelado principalmente pelos danos que causa à floresta.
Como o maior fungo do mundo foi descoberto?
O reconhecimento desse fungo gigante começou com um problema de manejo florestal. Técnicos notaram grandes faixas de árvores doentes, morrendo de forma semelhante, sugerindo um agente comum espalhado pelo subsolo.
Com o avanço de métodos genéticos, amostras de diferentes pontos foram comparadas em laboratório. Quando fragmentos se fundiam em cultura e exibiam o mesmo padrão de DNA, os pesquisadores concluíam que pertenciam a um único indivíduo clonal, um único gene.
Did you know the largest living organism on Earth is the Armillaria ostoyae, a mushroom that covers 2,200 acres in Oregon? Its underground network connects trees, sharing nutrients and info! 🌳🍄 #MindBlown #NatureFacts pic.twitter.com/6NLuMLIENL
— Treemissions (@treemissions) February 18, 2026
O que define o maior fungo do mundo?
O termo “maior fungo do mundo” costuma se referir a esse Armillaria ostoyae no Oregon, que ocupa quase dez quilômetros quadrados. Seu verdadeiro corpo é o micélio subterrâneo, uma vasta rede de filamentos finos e rizomorfos que conectam raízes ao longo da floresta.
Estudos estimam que essa colônia tenha entre cerca de 1.900 e mais de 8.000 anos, com base na velocidade de expansão, medida em centímetros a, no máximo, cerca de um metro por ano. A idade é sempre apresentada como intervalo, não como data exata.
Como o fungo do mel cresce e se espalha?
O fungo-do-mel vive principalmente abaixo da superfície, colonizando solo e madeira. O micélio forma um “tecido” branco e delicado, enquanto rizomorfos funcionam como cordões mais grossos que ligam raízes vizinhas e permitem avanços entre árvores.
Alguns processos chave resumem sua dinâmica ecológica e seu efeito na paisagem:
O micélio vegetativo digere mecanicamente e quimicamente os tecidos do córtex e do câmbio vascular na base das árvores.
Cordões de hifas escuros e espessos que viajam pelo solo para rastrear, mapear e colonizar sistemas radiculares saudáveis.
Hospedeiros enfraquecidos ou mortos são convertidos em centros de amplificação de biomassa fúngica e degradação de lignina.
Estruturas frutíferas efêmeras emergem na casca para espalhar esporos pelo vento, garantindo a variabilidade genética.
O maior organismo do planeta é realmente um fungo?
Chamar o fungo-do-mel de “maior organismo do planeta” depende do critério usado. Em área ocupada, ele é um forte candidato, mas grandes plantas clonais também disputam o título, como uma extensa pradaria de ervas marinhas em Shark Bay, na Austrália.
Outro competidor é o álamo tremedor Pando, em Utah, um clone arbóreo conectado por um sistema radicular comum, frequentemente citado pela massa total. Em todos esses casos, o que se compara é o gene: organismos clonais, contínuos e geneticamente idênticos.
Pando, o el Gigante Temblón, es una colonia masiva de un solo álamo temblón esparcido en más de 400.000 m2 en Utah. Cada árbol en ese área brota de un solo organismo y comparten sistema de raíces. Se estima que Pando pesa 6.615 T, el organismo vivo más pesado del planeta. pic.twitter.com/7oXgMkiXMr
— Los Árboles Mágicos ®️, (by Oscar Gaitan) (@arboles_magicos) December 29, 2024
Por que o maior fungo do mundo é tão importante?
A combinação de enorme extensão, grande longevidade provável e forte impacto sobre a floresta torna o fungo-do-mel um caso clássico em ecologia e manejo florestal. Para gestores, ele é um patógeno de raízes que pode matar grandes áreas de árvores comerciais e nativas.
Para pesquisadores, esse fungo é também um modelo de dominação de ecossistemas por um único indivíduo e de decomposição de madeira em larga escala. Ao estudar sua genética e seu avanço, compreende-se melhor doenças florestais, ciclagem de nutrientes e a complexa vida subterrânea das florestas.
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