Fundada em 1711 sobre 800 toneladas de ouro: a primeira cidade do Brasil reconhecida mundialmente pela UNESCO
a cidade onde 400 kg de ouro forram uma única igreja e a maior mina do mundo recebe visitas
Quem sobe a serra do Espinhaço encontra Ouro Preto encravada entre montanhas, a 1.179 metros de altitude. A cidade nasceu da corrida do ouro no fim do século XVII e guarda intacto o casario que fez dela a antiga Vila Rica.
Por que Ouro Preto foi a primeira do Brasil reconhecida pela UNESCO?
Ouro Preto recebeu o título de Patrimônio Mundial em 5 de setembro de 1980, sendo o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O reconhecimento premiou um conjunto urbano completo e pouco alterado, com traçado colonial preservado desde o século XVIII.
Erguida a partir do encontro de arraiais de garimpo, a cidade virou capital da capitania de Minas Gerais em 1720. Foi também palco da Inconfidência Mineira e abrigou o trabalho de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, maior nome do barroco mineiro. O acervo está tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938.

O ouro que ainda brilha nas ladeiras de pedra
No século XVIII, oficialmente saíram daqui 800 toneladas de ouro rumo a Portugal, sem contar o que circulou de forma ilegal. Parte desse metal nunca deixou a cidade: ficou nas igrejas.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar guarda cerca de 400 kg de ouro em sua talha dourada, segundo guias de turismo locais. A poucos metros, a Igreja de São Francisco de Assis, obra-prima do Aleijadinho com pinturas de Mestre Ataíde, foi eleita uma das 7 maravilhas de origem portuguesa no mundo. O nome da cidade vem justamente do ouro escurecido por uma camada de óxido de ferro encontrado na região.
O que visitar entre as igrejas e as minas?
O roteiro começa na Praça Tiradentes, coração do centro histórico e ponto de partida para as principais ladeiras. A partir dela, dá para alcançar a pé igrejas, museus e mirantes em poucos minutos de caminhada.
- Museu da Inconfidência: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, reúne 16 salas e o Panteão dos inconfidentes na Praça Tiradentes.
- Mina da Passagem: entre Ouro Preto e Mariana, a 11 km do centro, se autodeclara a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo. A descida de 120 metros é feita em um antigo trolley.
- Casa dos Contos: antiga casa de fundição que explica o sistema fiscal e o Quinto cobrado pela coroa portuguesa.
- Mirante da Igreja de Santa Efigênia: vista panorâmica do centro histórico, fora do circuito mais óbvio da Praça Tiradentes.
Na Mina da Passagem, o percurso de 315 metros termina em um lago de águas cristalinas, formado quando os túneis deixaram de ser bombeados. Estima-se que mais de 35 toneladas de ouro tenham saído dali até o fim da extração, em 1976.
Quem sonha em conhecer a fundo as riquezas históricas e coloniais de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Tesouros do Brasil, que conta com mais de 228 mil visualizações, onde João Vitor e Bruno mostram um roteiro essencial de viagem para aproveitar ao máximo a charmosa cidade de Ouro Preto:
Vale a pena morar em Ouro Preto?
Para quem busca qualidade de vida, sim, com ressalvas. A cidade de 74.821 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), oferece clima ameno, paisagem de montanha e uma comunidade forte ligada à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
A universidade, com mais de 13 mil estudantes de graduação, define o ritmo da cidade e sustenta a famosa cultura das repúblicas. O custo de vida tende a ser menor que o das capitais em aluguel e transporte, mas as áreas centrais ficam mais caras pela vocação turística. As ladeiras íngremes e o piso de pedra são o charme e, ao mesmo tempo, o principal desafio do dia a dia.

Leia também: A cidade que mais conquista novos moradores no litoral, graças à sua qualidade de vida e praias tranquilas
Suba a serra e descubra Vila Rica
Ouro Preto reúne um acervo barroco que poucos lugares no mundo conseguem mostrar de forma tão viva. Cada ladeira de pedra conta um capítulo do ciclo do ouro e da formação do Brasil.
Você precisa subir a serra e sentir o peso da história em uma cidade onde o ouro ainda brilha nas igrejas e o tempo parece ter parado no século 18.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)