Essas são as regras que estão em vigor do horário de almoço segundo a CLT

14.08.2026

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Essas são as regras que estão em vigor do horário de almoço segundo a CLT

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Redação O Antagonista
8 minutos de leitura 14.06.2026 15:43 comentários
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Essas são as regras que estão em vigor do horário de almoço segundo a CLT

O que a lei diz sobre o horário de almoço do trabalhador

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Essas são as regras que estão em vigor do horário de almoço segundo a CLT
Essas são as regras em vigor do horário de almoço segundo a CLT

O horário de almoço não é um favor do empregador: é um direito previsto no Art. 71 da CLT para todo trabalhador com jornada diária superior a 4 horas. A pausa não é computada na duração do trabalho e não é remunerada por lei, mas sua não concessão gera obrigação de pagamento com acréscimo de 50% sobre o período suprimido. Em junho de 2026, nenhuma alteração modificou o texto-base do artigo, mas a decisão do STF no Tema 1046 consolidou a validade da flexibilização por negociação coletiva.

Qual é a duração do intervalo de almoço conforme a CLT vigente?

A CLT estabelece durações diferentes para o intervalo conforme o total de horas trabalhadas no dia. O texto do Art. 71 da CLT é direto: em qualquer trabalho contínuo cuja duração exceda 6 horas, é obrigatória a concessão de intervalo mínimo de 1 hora e máximo de 2 horas, salvo acordo escrito ou convenção coletiva em contrário. Para jornadas entre 4 e 6 horas, o §1º do mesmo artigo garante mínimo de 15 minutos. Jornadas de até 4 horas não têm intervalo obrigatório.

A regra vale para empregados urbanos, rurais, em regime de jornada 12×36 e em tempo parcial. O direito ao intervalo não desaparece com a mudança de regime de trabalho, apenas se adapta à extensão da jornada efetiva.

Essas são as regras em vigor do horário de almoço segundo a CLT
Mulher segurando a Carteira de Trabalho e Previdência Social // Créditos: depositphotos.com / rafapress

Quais são as regras que o trabalhador precisa conhecer para não perder direitos?

Além da duração, há outros aspectos do intervalo intrajornada que afetam diretamente o dia a dia de quem tem carteira assinada. Os pontos mais importantes são:

1
Não é computado na jornada e não é remunerado O §2º do Art. 71 é claro: intervalos de descanso não são computados na duração do trabalho. Em jornada de 8h com 1h de almoço, o trabalhador fica no local por 9h no total. O período pertence ao empregado.
2
Não pode ser renunciado pelo trabalhador O intervalo é norma de saúde e segurança do trabalho. O empregado não pode abrir mão dele mesmo que queira. A renúncia individual não tem validade jurídica perante a Justiça do Trabalho.
3
Deve ocorrer preferencialmente entre a 3ª e a 6ª hora de trabalho A CLT não permite que o intervalo seja concedido logo no início ou no fim da jornada. O almoço deve ocorrer no meio do expediente para cumprir sua finalidade de descanso e recuperação.
4
Redução para 30 min só com convenção ou acordo coletivo O Art. 611-A da CLT, inserido pela Lei 13.467/2017, permite reduzir o intervalo de 1h para 30 min em jornadas acima de 6h. Mas exige convenção ou acordo coletivo firmado com o sindicato. Decisão unilateral da empresa não tem validade.
5
Trabalhar durante o almoço sem compensação é ilegal — inclusive no home office Atender clientes, responder mensagens, participar de reuniões ou permanecer no posto durante o intervalo configura descumprimento da norma trabalhista e gera direito à indenização, mesmo em regime de teletrabalho ou modelo híbrido.

O que o STF decidiu sobre a redução do intervalo e o que isso muda na prática?

No julgamento do Tema 1046, o Supremo Tribunal Federal confirmou a constitucionalidade da flexibilização do intervalo intrajornada por negociação coletiva, permitindo que acordos e convenções coletivas reduzam a pausa para até 30 minutos. O Tribunal Superior do Trabalho passou a aplicar esse entendimento de forma consistente a partir de então.

Na prática, isso significa que a empresa pode, sim, reduzir o almoço para 30 minutos, mas apenas quando:

  • Houver convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho formalizando a redução com o sindicato da categoria
  • A redução estiver documentada e disponível para consulta pelo trabalhador
  • O intervalo mínimo de 30 minutos for efetivamente respeitado — qualquer pausa menor do que isso, mesmo com CCT, gera direito ao pagamento do período suprimido

Leia também: Todos os brasileiros precisam atualizar seus documentos de identidade para o novo formato: como fazer passo a passo

Quais são as regras do intervalo de almoço por tipo de jornada em 2026?

A tabela abaixo resume os direitos do trabalhador conforme a extensão da jornada diária, com base no texto atual do Art. 71 e do Art. 611-A da CLT vigentes em junho de 2026:

Jornada diária Intervalo obrigatório Redução possível
Até 4 horas Art. 71, caput da CLT Nenhum intervalo obrigatório Não se aplica
4 a 6 horas Art. 71, §1º da CLT Mínimo de 15 minutos Sem previsão legal
Superior a 6 horas Art. 71, caput + Art. 611-A da CLT Mínimo de 1 hora, máximo de 2 horas 30 min com CCT
Jornada 12×36 Regimes especiais — CLT + CCT Aplica-se o intervalo proporcional à jornada contínua cumprida Depende da CCT

O que o trabalhador pode fazer quando o empregador descumpre o intervalo?

Quando o intervalo não é concedido ou é reduzido sem previsão em convenção coletiva, o §4º do Art. 71 da CLT (com a redação da Lei 13.467/2017) determina o pagamento do período suprimido com acréscimo de 50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho, de natureza indenizatória. Se o trabalhador tinha direito a 60 minutos e usufruiu apenas 20, o empregador deve pagar os 40 minutos suprimidos com o adicional.

Para registrar o descumprimento, o trabalhador deve anotar datas e horários e pode acionar o sindicato da categoria, registrar denúncia no Ministério do Trabalho e Emprego ou ajuizar reclamação na Justiça do Trabalho. O prazo para reclamar verbas trabalhistas é de 2 anos após o fim do contrato, com retroatividade de até 5 anos durante a vigência do vínculo. Este artigo tem caráter informativo; para situações específicas, consulte um advogado trabalhista ou o sindicato da sua categoria.

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