Vorcaro disse à PF que contrato com mulher de Moraes não teve contrapartida
Dono do Banco Master admite que contrato de R$ 129 milhões buscava aproximação com ministro do STF
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, admitiu na proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal que o contrato de R$ 129 milhões com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, tinha como objetivo se aproximar do ministro do Supremo Tribunal Federal, diz O Globo.
Segundo disse, porém, não houve contrapartidas nem atos de ofício ligados ao caso.
A proposta de colaboração foi recusada pela PF. O banqueiro está preso preventivamente e é investigado por fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
De acordo com investigadores, a segunda versão da delação não apresentou elementos novos e repetiu informações já conhecidas, o que pesou na decisão de rejeição.
Integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República também teriam demonstrado desânimo com os anexos apresentados.
Menções a autoridades
Nos documentos, um dos anexos citava Alexandre de Moraes.
Vorcaro afirma que o contrato de R$ 129 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes tinha como finalidade criar aproximação com o ministro, mas nega qualquer irregularidade na execução dos pagamentos.
A proposta também mencionava um segundo contrato de R$ 50 milhões, que não teria sido assinado. Ele envolveria a mesma estrutura jurídica ligada ao escritório da advogada.
Dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado apontam que o Banco Master transferiu mais de R$ 80 milhões ao escritório entre 2024 e 2025, sob a rubrica de honorários e consultoria.
Os repasses teriam sido interrompidos após a prisão de Vorcaro e a liquidação da instituição financeira.
PF vê fragilidades na delação
A avaliação interna da PF é de que os anexos não trouxeram fatos relevantes e, em alguns casos, tratam operações investigadas como “normais”, o que enfraqueceu a proposta.
Entre os pontos citados está o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vorcaro afirma que o aporte de R$ 61 milhões foi uma relação privada, sem contrapartida.
Ele também considerou lícitos pagamentos feitos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), alegando amizade pessoal e custeio de despesas, incluindo viagens à Europa.