Aneel eleva projeção de aumento da conta de luz para 2026
Estimativa da agência supera a inflação prevista para o período
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) elevou a previsão de reajuste médio da conta de luz em 2026 para 8,6%, acima da estimativa anterior, de 8%. O percentual também supera as projeções de inflação consideradas pela agência, como o IPCA, estimado em 4,9%.
A atualização foi divulgada nesta sexta-feira, 12, na nova edição do boletim InfoTarifas, documento trimestral que acompanha a evolução dos custos do setor elétrico e projeta os impactos nas tarifas cobradas dos consumidores.
Segundo a Aneel, um dos principais fatores para a alta é o aumento dos recursos destinados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia subsídios e políticas públicas do setor.
O orçamento da CDE para 2026 prevê R$ 47,8 bilhões em subsídios, crescimento de 17,7% em relação ao ano anterior. Os valores são custeados pelos consumidores por meio da própria conta de luz.
Descontos para parte dos consumidores
Apesar da previsão de aumento, consumidores atendidos por 22 distribuidoras localizadas em áreas da Sudam e da Sudene terão redução no impacto tarifário.
A medida será viabilizada com recursos do Uso de Bem Público (UBP), encargo pago por geradoras hidrelétricas à União pelo uso dos rios para produção de energia. Parte desses recursos será destinada à modicidade tarifária.
De acordo com a agência, a destinação dos valores já foi considerada nos cálculos de alguns reajustes realizados neste ano e ajuda a aliviar as tarifas em estados do Norte e Nordeste, além de regiões do Mato Grosso, Minas Gerais e Espírito Santo.
O que pesa na tarifa
A Aneel também aponta que condições hidrológicas menos favoráveis no ciclo 2025/2026 elevaram os custos de geração de energia, pressionando as projeções para o próximo ano.
Pela composição média da conta de luz, cerca de 60% da tarifa correspondem aos custos de geração, transmissão e distribuição de energia. Os subsídios do setor representam aproximadamente 10% do valor final.
Os impostos, como ICMS e PIS/Cofins, respondem por cerca de 30% da conta. O consumidor ainda pode ser afetado pelas bandeiras tarifárias, acionadas quando o sistema precisa recorrer a fontes de geração mais caras, como as usinas termelétricas.
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