Quem violar essa lei de trânsito em junho vai receber multas que podem passar de R$ 14.000, com risco de suspensão da carteira de habilitação
Multas de trânsito no Brasil e na Argentina em 2026: o que muda para quem dirige nos dois países
As multas de trânsito na Argentina podem passar de R$ 14.000 em 2026 para quem exceder 140 km/h em Buenos Aires, enquanto no Brasil a multa mais alta sem fator multiplicador é de R$ 293,47. Os dois países têm sistemas completamente diferentes, e entender essa diferença é essencial para qualquer motorista que atravessa a fronteira.
Por que as multas argentinas são tão mais altas quando convertidas para reais?
A Argentina não usa valores fixos em pesos para calcular multas de trânsito. Em vez disso, adota a Unidade Fixa (UF), um índice atualizado bimestralmente com base no preço do litro de combustível premium informado pelo Automóvel Club Argentino. Esse sistema foi criado para evitar que a inflação esvazie o poder punitivo das multas ao longo do tempo.
Na prática, o valor em pesos sobe automaticamente a cada dois meses sem que nenhuma lei precise ser alterada. Em Buenos Aires, a UF vale $949,99 pesos no período de março a setembro de 2026. Na Província de Buenos Aires, o valor vigente em maio e junho de 2026 é de $1.506 pesos por UF. Com o câmbio atual em torno de R$ 1 para 270 pesos argentinos, os valores convertidos surpreendem quem está acostumado com o sistema brasileiro.

Quais são as infrações mais caras na Argentina e o que cada uma custa em reais?
As multas variam por jurisdição, já que cada cidade e província tem autonomia para definir as faixas de UF. Os exemplos abaixo são de Buenos Aires (CABA), que tem o sistema mais rigoroso do país, com valores válidos para o período de março a setembro de 2026. Os principais casos são:
Como funciona o sistema de multas no Brasil e quais são os valores reais em 2026?
No Brasil, as multas são definidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) em valores fixos em reais, sem indexação automática. A multa gravíssima base é de R$ 293,47, mas o CTB prevê um fator multiplicador que pode elevar esse valor para determinadas infrações de maior risco. O multiplicador não se aplica a todas as infrações: só às expressamente previstas em cada artigo.
Os principais valores com fator multiplicador aplicado em 2026 são:
- Base gravíssima: R$ 293,47 (X1) — celular ao volante, avanço de sinal vermelho, dirigir sem CNH
- Multiplicador X3: R$ 880,41 — transpor bloqueio policial, dirigir com CNH de categoria errada
- Multiplicador X5: R$ 1.467,35 — ultrapassagem pelo acostamento
- Multiplicador X10: R$ 2.934,70 — Lei Seca (embriaguez ao volante), racha, manobra perigosa
- Multiplicador X20: R$ 5.869,40 — usar veículo para obstruir a circulação na via sem autorização (art. 253-A)
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O que muda para quem é reincidente em infração grave no Brasil?
No Brasil, a reincidência não dobra automaticamente o valor da multa como ocorre na Argentina. O efeito da reincidência no CTB é sobre os pontos na CNH: ao acumular 20 pontos em 12 meses, o motorista tem a habilitação suspensa por até 12 meses. A multa em si mantém o valor previsto no artigo aplicado, independentemente do histórico do condutor.

Como os dois sistemas se comparam na prática para o turista brasileiro?
A diferença mais relevante para quem viaja de carro para a Argentina é que os valores das multas sobem automaticamente com a inflação local, sem aviso prévio, e variam por cidade e província. O que custa R$ 700 numa rodovia bonaerense pode custar R$ 14.000 numa avenida porteña, dependendo da faixa de velocidade e da UF vigente. A tabela abaixo compara as principais infrações nos dois países com os valores de junho de 2026:
| Infração | Argentina — CABA (jun/2026) | Brasil — CTB |
|---|---|---|
| Velocidade extrema (acima de 140 km/h) Infração máxima do sistema porteño | R$ 1.400 a R$ 14.000 (400–4.000 UF) | Não previsto — maior faixa: R$ 880,41 |
| Embriaguez ao volante Lei Seca / alcoholemia | R$ 700 a R$ 3.500 (200–1.000 UF) | R$ 2.934,70 (X10) + suspensão CNH |
| Excesso de velocidade comum Até 40 km/h acima do limite | R$ 550 a R$ 2.000 (150–600 UF, estimado) | R$ 293,47 a R$ 880,41 |
| Obstrução de via sem autorização Bloqueio ou perturbação do tráfego | Varia por jurisdição | R$ 5.869,40 (X20, art. 253-A) |
| Uso de celular ao volante Infração gravíssima nos dois países | R$ 350 a R$ 700 (100–200 UF, estimado) | R$ 293,47 (X1) + 7 pontos na CNH |
O que o motorista brasileiro precisa saber antes de dirigir na Argentina?
O primeiro ponto é que a CNH brasileira é aceita na Argentina para estadias de até 180 dias, dispensando Carteira Internacional. Mas aceitar a habilitação não significa que as regras são as mesmas. Limites de velocidade, regras de ultrapassagem e exigências de documentação do veículo diferem, e a ignorância da lei local não isenta o motorista da multa.
O segundo ponto é que os valores das multas argentinas são atualizados a cada dois meses e variam por jurisdição. Uma multa aplicada em Mendoza pode ter valor diferente de uma aplicada em Buenos Aires. Para checar os valores vigentes antes de viajar, a fonte oficial é o portal da Vialidad Nacional argentina, que publica as tabelas de infrações federais. Todas as conversões em reais deste artigo são aproximadas e variam conforme o câmbio do dia da infração.
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