Portugal, Espanha e mais 27 países já exigem digitais e reconhecimento facial de turistas na entrada
Como viajar para os 29 países que agora exigem biometria de turistas
O sistema de entrada e saída da União Europeia entrou em pleno vigor em abril de 2026 e mudou para sempre a forma de cruzar fronteiras no continente. Brasileiros e qualquer viajante de fora do bloco agora têm digitais coletadas e rosto escaneado a cada entrada, e quem ultrapassar 90 dias de estadia é sinalizado automaticamente.
O que é o EES e por que ele substituiu os carimbos no passaporte?
O EES (Entry/Exit System) é o sistema digital criado pela União Europeia para registrar eletronicamente cada entrada e saída de visitantes de países terceiros. Em vez do carimbo físico, um banco de dados centralizado guarda biometria, dados do passaporte e datas de cruzamento de fronteira.
A regulamentação foi adotada em novembro de 2017, mas a implementação foi adiada por questões técnicas. O sistema começou a operar progressivamente em 12 de outubro de 2025 e atingiu plena operação em todos os pontos de fronteira em 10 de abril de 2026. Desde então, mais de 45 milhões de cruzamentos de fronteira já foram registrados digitalmente.

Quais dados são coletados de quem entra nos países do EES?
A coleta acontece em totens e cabines de autoatendimento nas fronteiras, com assistência de agentes quando necessário. No primeiro registro, o processo leva alguns minutos a mais, mas nas entradas seguintes, dentro do prazo de três anos, basta confirmar a identidade rapidamente.
Os dados registrados em cada entrada são:
Como o sistema identifica quem ultrapassou o limite de estadia?
Antes do EES, fiscalizar o prazo de 90 dias em 180 dependia de carimbos físicos, que podiam ser inconsistentes ou adulterados. Com o sistema digital, o histórico de cada viajante fica centralizado e acessível a todos os pontos de fronteira do espaço Schengen em tempo real.
O fluxo de verificação na fronteira funciona assim:
- O viajante chega ao totem ou cabine de autoatendimento
- Passaporte é lido e biometria é verificada contra o registro existente
- O sistema cruza o histórico de entradas e saídas e calcula os dias restantes
- Se o limite de 90 dias tiver sido atingido, o agente de fronteira recebe um alerta
- A decisão final de entrada ou recusa cabe ao agente, com base no protocolo nacional
- Desde a ativação, mais de 24 mil pessoas já tiveram entrada negada por diferentes motivos
Os dados ficam armazenados por quanto tempo e quem pode acessá-los?
Os registros biométricos e de viagem ficam armazenados por três anos a partir da última saída, podendo chegar a cinco anos em casos específicos previstos na regulamentação. O acesso é restrito a autoridades de fronteira e órgãos de segurança, sob condições legais estritas, e os dados não são compartilhados com empresas privadas.
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Quais países participam do EES e quem está isento?
O sistema vale para 29 países ao total, mas não cobre toda a União Europeia. Irlanda e Chipre ficaram fora por não integrarem o espaço Schengen. Em compensação, países não-membros da UE como Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein participam por fazerem parte do Schengen. A tabela abaixo resume os principais perfis de viajantes:
| Perfil do viajante | Obrigação no EES | Situação |
|---|---|---|
| Brasileiros e latino-americanos Isentos de visto para estadias curtas | Biometria completa obrigatória em cada entrada | Atenção |
| Cidadãos da UE e Schengen Passaporte ou documento de identidade europeu | Isentos, o sistema não se aplica | Isento |
| Residentes legais na UE Portadores de visto de longa duração | Isentos do registro biométrico obrigatório | Isento |
| Americanos e canadenses Isentos de visto, mas sujeitos ao EES | Biometria obrigatória a cada entrada no Schengen | Atenção |
| Crianças abaixo de 12 anos Qualquer nacionalidade | Foto obrigatória, digitais dispensadas | Parcial |
O que muda na prática para quem vai ou voltou da Europa?
A mudança mais visível para a maioria dos turistas é o tempo nas filas de imigração, especialmente na primeira entrada. O processo biométrico leva alguns minutos a mais por passageiro, e aeroportos como os de Lisboa, Madrid e Paris já adaptaram as cabines de controle para absorver o volume. Após o primeiro registro, as entradas seguintes são mais ágeis, já que os dados ficam salvos por até três anos.
Para quem planeja a próxima viagem, o portal oficial Travel Europe disponibiliza um aplicativo gratuito chamado Travel to Europe, que permite pré-registrar dados do passaporte antes do embarque e reduzir o tempo na fronteira. Vale também reforçar que o EES não afeta a regra dos 90 dias em 180, apenas passa a fiscalizá-la com muito mais precisão do que os antigos carimbos permitiam.
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