“Tem nossa assinatura”: Mãe e filha constroem casa com 8.000 garrafas de vidro
Mãe e filha constroem casa com 8.000 garrafas de vidro
Uma casa de garrafas de vidro erguida por mãe e filha virou símbolo de resistência no litoral de Pernambuco. Em dois anos, Edna e Maria Gabrielly Dantas incorporaram mais de 8.000 garrafas à estrutura da chamada Casa de Sal, transformando lixo de praia em moradia.
Onde fica a Casa de Sal e quem está por trás do projeto?
A casa fica na Ilha de Itamaracá, no litoral norte de Pernambuco, conhecida por suas praias e pela pressão crescente do turismo de massa sobre o meio ambiente local. Foi nesse cenário que mãe e filha decidiram agir.
O projeto Casa de Sal nasceu do desejo de Edna de enfrentar o acúmulo de lixo nas praias, agravado durante a pandemia. Junto da filha, Maria Gabrielly, ela ergueu uma moradia sustentável usando garrafas de vidro e madeira reciclada como matéria-prima principal.

Como a Casa de Sal transforma resíduos em material de construção?
A lógica da obra é simples: o que iria para o aterro vira estrutura. Ao longo de dois anos, mais de 8.000 garrafas de vidro foram embutidas nas paredes da residência, combinadas com argamassa para sustentar a edificação.
Além das garrafas, a dupla apostou em outras soluções criativas com resíduos. Os principais materiais reaproveitados foram:
Que desafios Edna e Gabrielly enfrentaram na construção?
A obra expôs barreiras de gênero desde o início, já que a construção civil é um ambiente predominantemente masculino. Mesmo diante de desconfiança quanto à capacidade técnica das duas, elas seguiram firmes e provaram domínio sobre cada etapa do processo.
Essa trajetória tornou a casa um símbolo de protagonismo feminino em soluções sustentáveis. A frase “tem nossa assinatura”, usada por elas, resume o orgulho de ver a residência de pé, erguida com as próprias mãos, em uma área dominada por homens.
Como a técnica de paredes com garrafas funciona na prática?
A construção com garrafas alterna camadas de vidro e argamassa, deixando pequeno espaço entre as peças para boa aderência. Cada camada precisa secar antes da seguinte, e o vidro filtra a luz, reduzindo o uso de iluminação artificial durante o dia.
Qual é o impacto social e ambiental do projeto na comunidade?
A Casa de Sal vai além da reutilização de resíduos. O projeto levanta debates sobre moradia digna no Brasil, onde milhões ainda vivem sem lar, e provoca reflexões sobre políticas públicas de habitação e gestão de resíduos sólidos urbanos.
Na prática, a iniciativa gera efeitos concretos para a região. Veja os principais impactos:
| Frente de impacto | Efeito na prática | Alcance |
|---|---|---|
| Redução de lixo nas praias Coleta de garrafas e embalagens | Milhares de resíduos retirados da orla de Itamaracá | Ambiental |
| Inspiração local Exemplo replicável na região | Estimula outras ações de sustentabilidade na ilha | Social |
| Moradia alternativa Uso de recursos locais | Oferece um modelo de casa digna com baixo custo de material | Habitacional |
Por que a Casa de Sal aponta para um futuro mais sustentável?
Para Edna e Maria Gabrielly, a obra é mais do que inovação arquitetônica. Ela expressa uma mudança de relação com o consumo e os resíduos urbanos, mostrando que materiais descartados podem ganhar nova função em vez de poluir o ambiente.
O exemplo das duas pernambucanas prova que a verdadeira inovação está em transformar desafios ambientais em oportunidades. A Casa de Sal segue de pé como lembrete de que sustentabilidade e moradia podem caminhar juntas, mesmo a partir do que a maioria considera apenas lixo.
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