Sobrinho de Marcola é denunciado por lavagem de dinheiro em SP
Investigação do Gaeco aponta transações com suspeitos de crimes e empresa de ônibus ligada ao PCC
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, acumulou ao menos R$ 417 mil em depósitos sem comprovação de origem ao longo de seis anos e cinco meses.
O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra ele na última quarta-feira, 10, no âmbito da Operação Vérnix, conduzida pelo Gaeco. Ele está foragido e responde por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Pagamento de empresa de ônibus e vínculos com suspeitos
Segundo a denúncia do Gaeco, entre as transferências identificadas nas contas de Leonardo consta um repasse de R$ 50 mil feito pela Transunião Transportes S/A, empresa que opera 33 linhas municipais na zona leste de São Paulo e é apontada como peça de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
O pagamento aparece em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que cobre o período entre janeiro de 2018 e julho de 2022.
A Transunião já havia sido mencionada em investigações anteriores. Na Operação Mafiusi, realizada dois anos atrás, a Polícia Federal identificou um conselheiro da empresa como suspeito de participar de esquema de lavagem atrelado ao tráfico internacional de drogas do PCC.
A mesma apuração registrou movimentação superior a R$ 8 milhões entre a empresa e um de seus diretores, Jair Ramos de Freitas, preso em 2022 sob suspeita de homicídio contra outro membro da diretoria.
Advogados do sócio Lourival de França Monário afirmaram que os recursos da empresa “têm origem em contratos firmados com o poder público municipal para prestação regular de serviço” e que as suspeitas dizem respeito a período anterior à sua gestão. A Prefeitura de São Paulo informou que “há apuração em curso sobre a empresa” e que o procedimento “tramita sob sigilo”.
Rede de destinatários e origem do dinheiro
De acordo com informações do Ministério Público de São Paulo, a análise das contas bancárias do investigado revelou transferências com ao menos quatro pessoas com passagens policiais por crimes como porte ilegal de arma, tráfico de entorpecentes e associação criminosa. A denúncia descreve esse conjunto como “rede de destinatários com perfil criminalmente sensível”.
Entre os casos identificados, uma mulher de 28 anos que se declarava estudante repassou mais de R$ 120 mil a Leonardo Alexsander, levantando a suspeita de que sua conta bancária era usada como instrumento de passagem de recursos ilícitos. Além disso, de 2022 a 2024, mais de R$ 300 mil saíram das contas do investigado sem identificação dos beneficiários.
A acusação também aponta que Leonardo teria se beneficiado de recursos provenientes da Transportadora Lado a Lado, empresa descrita na denúncia como “reconhecida judicialmente como veículo de lavagem de capitais do PCC”. Sua madrasta, Francisca Alves da Silva, teria repassado ao menos R$ 33,2 mil a ele e exercido função gerencial na empresa.
Segundo a Folha, o advogado Bruno Ferullo, que representa Leonardo e seus familiares, afirmou que as acusações são “totalmente refutadas” e que os valores “serão devidamente contextualizados no decorrer da instrução processual, oportunidade em que serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações”.
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