Colômbia ataca cartel dez dias antes do segundo turno
Bombardeio contra o Clã do Golfo intensifica debate eleitoral sobre estratégia de combate ao narcotráfico
Nove membros do Clã do Golfo morreram nesta sexta-feira, 12, em um bombardeio das Forças Armadas da Colômbia no departamento do Chocó, na região noroeste do país. O general Hugo López divulgou na rede social X registros aéreos da explosão e imagens do material confiscado na operação — entre fuzis, munições e carregadores.
A ação ocorre a menos de duas semanas do segundo turno da eleição presidencial, previsto para o próximo dia 21.
Negociação em xeque
O Clã do Golfo é a maior organização de narcotráfico do país, de origem paramilitar, e mantém negociações com o governo colombiano desde o ano passado, conduzidas no Catar. A organização é apontada como um dos grupos responsáveis pela escalada de violência que a Colômbia enfrenta na última década.
Segundo informações divulgadas pela imprensa colombiana, o advogado do cartel admitiu recentemente que será “impossível” assinar um acordo definitivo de paz com o presidente Gustavo Petro antes do fim do mandato.
A expectativa é que integrantes de grupos armados comecem a se deslocar para zonas rurais designadas pelo governo para negociação nas próximas semanas.
Segurança domina a disputa eleitoral
O ataque militar ganha peso político no contexto das eleições presidenciais. O candidato de direita Abelardo de la Espriella, vencedor do primeiro turno em maio com 43% dos votos, defende o endurecimento das operações contra o narcotráfico, incluindo bombardeios ampliados, construção de megapresídios e cooperação reforçada com os Estados Unidos — país cujo presidente, Donald Trump, já manifestou apoio à sua candidatura.
O adversário no segundo turno, Iván Cepeda, do partido governista de esquerda, foi um dos arquitetos da política de paz do presidente Petro.
Em entrevista à agência AFP, Cepeda afirmou estar disposto a promover as “mudanças” que forem “necessárias” na estratégia de negociação com grupos armados — um aceno ao eleitorado insatisfeito com os resultados da abordagem dialogada adotada pelo governo atual.
Conflito prolongado
A Colômbia convive com conflito armado há mais de seis décadas. De acordo com analistas e dados eleitorais, a crise de segurança é a principal preocupação do eleitorado colombiano neste ciclo eleitoral.
Grupos ligados ao narcotráfico, segundo a imprensa local, ganharam força durante o período em que o governo Petro priorizou o diálogo com organizações armadas — estratégia que não produziu acordos concretos com nenhum dos grupos envolvidos.
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