Sánchez pede recontagem de “todas as atas” após virada de Keiko Fujimori
Deputado convida direitista a se unir ao pedido de revisão da apuração do segundo turno no Peru
O candidato à Presidência do Peru Roberto Sánchez pediu nesta sexta-feira, 12, a recontagem “em todas as atas que a legislação permita revisar” diante da pequena diferença de votos que o separa da adversária Keiko Fujimori.
Nas redes sociais, Sánchez convido a candidata opositora a se unir ao pedido de revisão da apuração Com 98,271% das urnas contabilizadas até as 19h (horário de Brasília), Keiko liderava a disputa com 50,010% dos votos, uma vantagem de apenas 3.441 votos, segundo a Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE), autoridade eleitoral peruana.
“Diante da extrema estreiteza do resultado eleitoral, quero formular publicamente um convite a Keiko Fujimori para nos reunirmos o mais breve possível e atuarmos conjuntamente em defesa da transparência e da confiança cidadã. A diferença atual é tão reduzida que o Peru merece que não fique nenhuma dúvida sobre a vontade expressa nas urnas”, escreveu no X.
“Por isso, proponho que solicitemos conjuntamente uma revisão exaustiva e um reconto dos votos em todas aquelas atas que a legislação permita revisar, com pleno respeito às instituições eleitorais e às normas vigentes”, concluiu.
De acordo com o sistema oficial de apuração, apenas nove urnas ainda aguardavam contagem, enquanto outras 1.595 estavam classificadas como “para envio ao JJE”, órgão responsável por analisar ocorrências relacionadas ao processo eleitoral.
Esse encaminhamento pode indicar inconsistências ou possíveis erros nas atas de votação. No Peru, os eleitores votam por meio de cédulas de papel depositadas em urnas, e cada mesa de votação produz uma ata com o registro dos resultados.
Roberto Sánchez
Sánchez é um psicólogo que participou da Teologia da Libertação, uma corrente marxista da esquerda latino-americana.
Foi ministro de Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo.
Sánchez segue sendo um discípulo de Castillo, que tentou um autogolpe em 7 de dezembro de 2022.
Nesse dia, Castillo dissolveu o Congresso e declarou toque de recolher pela televisão.
Também convocou um Congresso para escrever uma nova Constituição.
“Declara-se uma reorganização do sistema de Justiça, do Judiciário, do Ministério Público, da Junta Nacional de Justiça e do Tribunal Constitucional“, disse Castillo em 2022.
Castillo foi condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de conspiração e rebelião em uma tentativa de golpe de Estado.
Apesar desse passado tenebroso, Sánchez busca se aproximar ao máximo da imagem de Castillo.
Leia também: Entre o novo fujimorismo e o bolivarianismo tardio
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)