Acabou a química? Lula vai ao G7 sem agenda com Trump
Presidente brasileiro participa da cúpula na França, mas encontro bilateral com o americano não é 'necessário no momento'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para a cúpula do G7, marcada para os dias 15 a 17 em Évian-les-Bains, no leste da França, sem qualquer reunião bilateral agendada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nem o governo brasileiro solicitou o encontro, nem recebeu sinalização americana nesse sentido — e a avaliação do Planalto é de que um novo contato direto entre os dois líderes não é necessário no momento.
Grupo de trabalho ativo reduz pressão por reunião de cúpula
Segundo informações do Palácio do Planalto, a posição brasileira em relação às tarifas americanas já foi apresentada aos Estados Unidos em canais adequados. O mecanismo criado após o encontro bilateral de maio, na Casa Branca, segue ativo para tratar da questão.
O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, se reuniu com o representante comercial americano, Jamieson Greer, em 28 de maio, e um novo contato entre os dois deve acontecer em breve.
O prazo que orienta as expectativas brasileiras é 15 de julho, data-limite para o USTR publicar o relatório definitivo sobre a recomendação de tarifas de 25% ao Brasil. A decisão final sobre adotar ou não a medida caberá a Trump.
Tom moderado no exterior, agenda com Macron e Japão
Na França, Lula participará de sessões sobre parcerias internacionais e crescimento econômico equilibrado. Seus discursos devem conter críticas ao unilateralismo e ao protecionismo, lidas por interlocutores como recados indiretos à política comercial americana, mas sem referências nominais a Trump.
De acordo com a Folha, o tom adotado no exterior será mais comedido do que o utilizado em eventos no Brasil, onde o contexto de disputa política interna exige posicionamentos mais assertivos.
Na margem da cúpula, Lula deve se reunir com o presidente francês Emmanuel Macron e com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
O governo brasileiro avalia como possível o anúncio do início das negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão durante o evento — iniciativa defendida por Lula durante a presidência do bloco.
A concretização do anúncio, porém, depende do alinhamento de agenda dos demais países envolvidos.
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