No coração do Rio Grande do Sul, a cidade que guarda os dinossauros mais antigos do mundo e a 1ª universidade federal do interior
Dinossauros mais velhos do mundo e 1ª federal do interior no RS
No exato centro geográfico do Rio Grande do Sul, Santa Maria cresceu entre trilhos e salas de aula. O subsolo da região guarda fósseis de cerca de 250 milhões de anos, e isso explica por que a cidade virou referência mundial em paleontologia.
Por que Santa Maria é chamada de Coração do Rio Grande?
O apelido vem da geografia: o centro exato do estado fica dentro do município. A 290 km de Porto Alegre, a cidade se firmou como ponto de encontro de quem cruza o Rio Grande do Sul de norte a sul.
Essa posição central moldou tudo. Foi por aqui que passou a malha ferroviária do Sul no início do século XX, e foi esse fluxo de gente e trabalho que transformou um ponto de apoio agropecuário em uma das cidades polo do interior gaúcho.

A cidade que abriga os primeiros dinossauros do planeta
Os fósseis mais antigos de dinossauros já descobertos no mundo estão no solo dessa região central. O território guarda registros do Triássico com cerca de 230 milhões de anos, e detém o recorde dos dinossauros mais antigos do planeta, segundo o Quarta Colônia UNESCO Global Geopark.
O geoparque foi certificado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2023. Reúne nove municípios vizinhos a Santa Maria, numa transição entre os biomas Pampa e Mata Atlântica. As pesquisas de campo são conduzidas pelo Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Um aviso importante para quem viaja por curiosidade: os sítios fossilíferos servem apenas à pesquisa e não estão abertos à visitação. Quem quer ver o tema de perto encontra acervos e exposições na própria cidade, em centros ligados à pesquisa paleontológica.

O que ver na primeira cidade universitária do interior do Brasil
A maior atração urbana nasceu de um marco histórico. A UFSM foi criada pela Lei nº 3.834-C, de 14 de dezembro de 1960, e instalada em março de 1961, tornando-se a primeira universidade federal fora de uma capital no país. Com ela, o Rio Grande do Sul virou o primeiro estado a ter duas federais.
A herança dessa história está espalhada pela cidade, e boa parte dela cabe em um roteiro a pé pelo centro.
- Vila Belga: conjunto de casas em tons pastel do início do século XX, construído para os ferroviários. É um dos primeiros conjuntos habitacionais planejados do estado.
- Planetário da UFSM: inaugurado em 1971, foi o primeiro do Rio Grande do Sul. O esboço inicial partiu de um desenho de Oscar Niemeyer.
- Catedral do Mediador: templo de 1906 em estilo gótico, com vitrais, portas e janelas originais preservados.
- Theatro Treze de Maio: casa de espetáculos histórica no centro, com saguão e mezanino de varandas laterais.
Quem busca planejar um roteiro completo de 48 horas pela região central gaúcha, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Viva o RS, que conta com mais de 76 mil visualizações, onde os apresentadores mostram as paisagens, vinhos, história e gastronomia de Santa Maria e municípios vizinhos:
O selo internacional que a Vila Belga ganhou da Bélgica
A Vila Belga não é só bonita: tem reconhecimento oficial de outro país. Em cerimônia de 2017 realizada em Bruxelas, o conjunto recebeu o Prêmio do Patrimônio Belga no Exterior, concedido pelo Serviço Público Federal Belga dos Negócios Estrangeiros e pela Fundação Rei Baudouin.
A placa de reconhecimento foi descerrada em Santa Maria em 2021, em cerimônia da Prefeitura de Santa Maria que reuniu o consulado belga. O bairro foi erguido por uma companhia ferroviária belga, e cada casa traz pequenas variações de janelas e ornamentos, um detalhe de inspiração europeia raro no interior gaúcho.
Vale a pena conhecer o Coração do Rio Grande
Poucas cidades reúnem fósseis que desafiam a ciência, um bairro premiado pela Bélgica e a universidade que mudou a história do ensino no interior brasileiro. Santa Maria mistura ciência, memória ferroviária e o ritmo tranquilo de uma cidade média gaúcha.
Você precisa subir até o centro do Rio Grande do Sul e sentir a energia jovem dessa cidade que olha para 250 milhões de anos atrás sem perder a calma do interior.
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