Cartão de crédito puxa endividamento recorde em SP
Proporção de famílias paulistanas com dívidas atinge o maior patamar desde 2022, de acordo com informações da Fecomercio
Quase três quartos das famílias da cidade de São Paulo encerraram maio de 2026 com alguma dívida ativa, o maior índice registrado nos últimos quatro anos.
Dados divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostram que 74,2% dos lares paulistanos, o equivalente a 3,33 milhões de domicílios, carregavam algum tipo de compromisso financeiro no mês passado. Em abril, a taxa era de 72,9%; há um ano, ficava em 71,2%.
Crédito de curto prazo financia consumo do dia a dia
O cartão de crédito lidera as modalidades de endividamento, presente em aproximadamente oito a cada dez famílias endividadas. Na sequência aparecem o financiamento imobiliário, o crédito pessoal, o financiamento de veículos, os carnês e o cheque especial.
Segundo a FecomercioSP, a expansão do crédito reflete uma estratégia de manutenção do padrão de consumo em um ambiente de inflação próxima ao teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
A entidade observa, porém, que parte das famílias tem recorrido a “crédito de menor valor e prazo mais curto para financiar despesas correntes do dia a dia, diante de uma renda menos suficiente para absorver todos os gastos”.
Inadimplência estável, mas riscos no horizonte
O percentual de famílias com contas em atraso ficou em 21,1% em maio, estável em relação a abril (21%) e 0,6 ponto percentual abaixo do registrado em maio de 2025. Cerca de 9% dos lares afirmaram não ter condições de honrar os compromissos financeiros no mês seguinte.
A parcela média da renda comprometida com dívidas recuou de 26,5% para 26,1% entre abril e maio — um dos menores níveis da série histórica recente da pesquisa. De acordo com a FecomercioSP, isso indica que o avanço do crédito ainda não pressiona de forma excessiva o orçamento doméstico.
As famílias com renda de até dez salários mínimos foram as mais afetadas: o índice de endividamento nessa faixa subiu de 76,3% para 77,5%. Entre as de renda superior a dez salários mínimos, a alta foi de 63,1% para 64,6%.
Mercado de trabalho como contenção
A FecomercioSP atribui a relativa estabilidade da inadimplência ao desempenho do mercado de trabalho e ao crescimento da renda.
A entidade avalia, no entanto, que “a combinação de endividamento em máxima histórica recente, atrasos mais longos, expansão do crédito de curto prazo e pressão inflacionária persistente merece atenção”, e adverte que “qualquer enfraquecimento do mercado de trabalho pode acelerar essa deterioração”.
A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) é realizada mensalmente pela FecomercioSP com 2.200 consumidores na capital paulista.
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