Advogada deixa defesa de Monique Medeiros após divergência sobre estratégia jurídica
Florence Rosa afirma que a chegada de um novo defensor para a fase recursal gerou incompatibilidade na atuação do caso Henry Borel
A advogada Florence Rosa deixou nesta quinta-feira, 11, a defesa de Monique Medeiros, condenada por omissão em relação à tortura sofrida por Henry Borel.
Florence foi uma das responsáveis por obter para Monique o benefício do perdão judicial em relação à acusação de homicídio culposo, após o julgamento encerrado na semana passada.
Em nota divulgada nas redes sociais, a advogada explicou que sua contratação estava restrita à atuação no plenário do Tribunal do Júri. Segundo ela, a chegada de um novo defensor para conduzir a fase recursal do processo motivou o encerramento de sua participação no caso.
“Com a chegada de um novo colega à defesa, e, diante de uma legítima incompatibilidade de estratégias defensivas, decidimos, em comum acordo, encerrarmos a nossa atuação no caso”, escreveu Florence Rosa nas redes sociais.
“A divergência quanto à condução técnica é circunstância natural do exercício da advocacia, e a coerência estratégica é pressuposto da plenitude de defesa”, dizia a nota.
Relembre o caso
Após dez dias de julgamento, o 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou na última quinta-feira, 4, o ex-vereador Dr. Jairinho pela morte de Henry Borel. A pena foi fixada em 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.
Os jurados entenderam que a mãe do menino, Monique Medeiros, não praticou homicídio doloso. Ela foi condenada apenas por omissão diante das agressões sofridas pelo filho, recebendo pena de 1 ano e 4 meses em regime aberto.
A juíza Elizabeth Machado Louro também concedeu perdão judicial a Monique pelo homicídio culposo e considerou a pena já cumprida em razão do período em que ela permaneceu presa durante o processo.
O Ministério Público recorreu da decisão e pede a anulação da parte do julgamento relacionada a Monique.
Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o então padrasto, no Rio de Janeiro. O menino deu entrada no Hospital Barra D’Or com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória.
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