NASA desenvolve bateria nuclear capaz de funcionar por mais de 400 anos e mudar o futuro das missões espaciais profundas

25.06.2026

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NASA desenvolve bateria nuclear capaz de funcionar por mais de 400 anos e mudar o futuro das missões espaciais profundas

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NASA desenvolve bateria nuclear capaz de funcionar por mais de 400 anos e mudar o futuro das missões espaciais profundas

O novo sistema usa amerício-241 e conversores Stirling para criar uma fonte de energia capaz de durar mais que gerações humanas

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NASA desenvolve bateria nuclear capaz de funcionar por mais de 400 anos e mudar o futuro das missões espaciais profundas
Tecnologia com amerício-241 expande drasticamente a duração de missões espaciais.

Uma bateria capaz de funcionar por mais de quatro séculos pode parecer coisa de ficção científica, mas a NASA e a Universidade de Leicester estão trabalhando para tornar isso realidade. O novo sistema nuclear, alimentado por amerício-241, promete transformar de vez a forma como as sondas espaciais são abastecidas — e o prazo de validade dessa tecnologia vai bem além de qualquer missão já lançada até hoje.

Por que as baterias nucleares atuais têm um limite de prazo

Há décadas, a NASA utiliza os chamados sistemas de energia de radioisótopos (RPS) para alimentar missões de longa duração. Foi graças a eles que sondas como Voyager, New Horizons, Curiosity e Perseverance conseguiram operar por tanto tempo no espaço profundo. Esses sistemas geram eletricidade a partir do calor liberado pelo decaimento radioativo de materiais como o plutônio-238.

O problema é que o plutônio-238 se degrada progressivamente e consegue abastecer missões por apenas algumas décadas. Além disso, sua produção é cara, lenta e concentrada em poucas instalações nos Estados Unidos, como os Laboratórios Nacionais de Oak Ridge e de Idaho. Após uma pausa de 30 anos, os EUA só retomaram o fornecimento em 2011, com apoio do Departamento de Energia.

O plutônio-238 degrada rapidamente, limitando o tempo das missões atuais.

O que torna o amerício-241 tão diferente dos combustíveis anteriores

O amerício-241 tem uma meia-vida de 433 anos, o que significa que continua produzindo calor por séculos. Isso abre caminho para missões capazes de sobreviver não apenas aos seus criadores, mas a gerações inteiras de cientistas. A grande vantagem prática é que ele é um subproduto comum de reatores nucleares, tornando sua obtenção muito mais viável do que a do plutônio.

Conforme destacado pela revista Popular Mechanics, a pesquisa em torno do amerício-241 representa um ponto de virada para missões espaciais de longa duração. Em termos de segurança, o material é classificado como “minimamente tóxico” e, em forma cerâmica, não vaporiza em caso de acidentes — ele se fragmenta em pedaços sólidos, reduzindo significativamente o risco de inalação ou absorção.

Leia também: A China encontrou cerca de 540 milhões de toneladas de minério de lítio e mexeu no tabuleiro das baterias elétricas

Como o novo motor converte calor em energia utilizável

O combustível, sozinho, não resolve tudo. É preciso transformar o calor gerado em eletricidade de forma eficiente, e é aí que entra o conversor Stirling de pistão livre, a grande aposta tecnológica do projeto. Ao contrário dos sistemas antigos com virabrequins, esse conversor utiliza pistões flutuantes dentro de uma câmara selada, sendo mais limpo, mais eficiente e projetado especificamente para funcionar em microgravidade.

A tecnologia já provou sua resistência: um conversor Stirling opera há mais de 14 anos sem manutenção no Centro de Pesquisa Glenn da NASA. Segundo Wayne Wong, chefe do Departamento de Conversão de Energia Térmica do Glenn, o avanço é “particularmente significativo” para missões com longos tempos de cruzeiro, que não podem se dar ao luxo de qualquer interrupção no fornecimento de energia.

Conversor Stirling transforma calor em eletricidade eficientemente na microgravidade.

Quais são os desafios ainda a superar antes do uso em missões reais

A transição para o amerício-241 não é isenta de obstáculos. Antes de ser adotado em larga escala, alguns pontos técnicos precisam ser resolvidos. Os principais são:

  • O amerício-241 emite mais radiação gama do que o plutônio-238, exigindo sistemas de blindagem mais robustos nas espaçonaves.
  • O processo de produção ainda está sendo aprimorado pelo Laboratório Nacional de Los Alamos, com foco em torná-lo mais seguro e escalável.
  • As missões que já dependem do plutônio precisarão de uma transição planejada, sem comprometer cronogramas em andamento.

Os engenheiros, no entanto, demonstram confiança de que esses obstáculos são contornáveis. A quantidade de calor que o amerício-241 pode fornecer ao longo de séculos justifica amplamente o investimento em soluções de blindagem mais avançadas.

Uma tecnologia que pode definir o futuro da exploração espacial

Imagine uma sonda lançada em 2050 ainda em operação no ano de 2480. Isso não é mais fantasia: é exatamente o horizonte que a nova bateria nuclear da NASA torna possível. Missões como a Dragonfly, o drone nuclear destinado a explorar Titã, lua de Saturno, já apontam para esse futuro. Se o amerício-241 se provar viável, toda uma nova geração de exploradores do espaço profundo poderá ser abastecida por séculos, sem interrupções.

O espaço sempre foi o palco dos maiores saltos da humanidade, mas nunca antes tivemos a perspectiva de enviar máquinas que durem mais do que civilizações inteiras. Enquanto as sondas Voyager seguem viagem pelo espaço interestelar com energia cada vez mais escassa, a NASA já está projetando o próximo capítulo, e ele promete durar muito mais do que qualquer um de nós.

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