Eleições no Peru: Keiko Fujimori ultrapassa Roberto Sánchez
Com 98,215% das atas contabilizadas, a diferença entre os candidatos é de 651 votos
A direitista Keiko Fujimori, do partido Força Popular, ultrapassou Roberto Sánchez, da coalizão Juntos pelo Peru, na reta final da contagem de votos do segundo turno da eleição peruana.
Com 98,215% das atas contabilizadas, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori tem 9.032.651 votos, o equivalente a 50,002% dos votos válidos, enquanto o candidato de esquerda tem 9.032.000 votos, o que corresponde a 49,998% dos votos.
A mudança de liderança ocorreu após a contagem do votos realizados no exterior, onde Keiko Fujimori obteve aproximadamente 70% dos votos.
Com cerca de 1.600 atas restantes, o resultado segue matematicamente reversível.
Troca de liderança
Keiko liderava a contagem oficial das eleições no Peru até segunda-feira, 8, quando Roberto Sánchez passou a frente com a contabilização de votos das zonas rurais e isoladas.
Na noite de domingo, Sánchez apareceu vitorioso nas contagens rápidas feitas pelos institutos Ipsos e Datum (para entender a diferença entre contagem rápida e contagem oficial, leia aqui).
Sánchez é um psicólogo que participou da Teologia da Libertação, uma corrente marxista da esquerda latino-americana.
Foi ministro de Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo.
Sánchez segue sendo um discípulo de Castillo, que tentou um autogolpe em 7 de dezembro de 2022.
Nesse dia, Castillo dissolveu o Congresso e declarou toque de recolher pela televisão.
Também convocou um Congresso para escrever uma nova Constituição.
“Declara-se uma reorganização do sistema de Justiça, do Judiciário, do Ministério Público, da Junta Nacional de Justiça e do Tribunal Constitucional“, disse Castillo em 2022.
Castillo foi condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de conspiração e rebelião em uma tentativa de golpe de Estado.
Apesar desse passado tenebroso, Sánchez busca se aproximar ao máximo da imagem de Castillo.
Fraude?
Após o encerramento do primeiro turno, do qual 35 candidatos participaram, o candidato conservador Rafael López Aliaga recusou-se a reconhecer os resultados.
Derrotado por margem de aproximadamente 20 mil votos para o candidato de esquerda Roberto Sánchez, o ex-prefeito de Lima liderou ao menos cinco manifestações nas ruas da capital peruana para contestar a apuração.
López Aliaga comandou uma marcha de centenas de apoiadores que percorreu ruas do centro histórico de Lima e terminou diante da sede do Júri Nacional de Eleições, autoridade responsável pela proclamação oficial dos resultados.
Em discurso, o candidato afirmou que “a única maneira de me derrotar foi com trapaças” e declarou que “um governo ilegítimo não deve ser reconhecido”. Também questionou a integridade das atas de votação: “Sabem a tremenda fraude que estão cometendo, atas foram perdidas, que processo é esse, fizeram tudo errado”.
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