TV Justiça ameaça sair do ar após denúncias de calote e atrasos trabalhistas
A paralisação ocorre em meio a uma série de denúncias contra a Fundac, empresa terceirizada responsável pela operação da TV Justiça
Jornalistas e radialistas da Rádio e TV Justiça decidiram cruzar os braços a partir de segunda-feira, 15. A informação foi repassada para O Antagonista por meio do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJDF).
Questionado sobre a possibilidade de a greve ser cancelada em caso de retorno sobre as solicitações, o coordenador-geral do SJDF, Pedro Rafael Vilela, afirmou que não existe possibilidade, pois a greve já foi decretada. O que pode ocorrer, segundo ele, é o cancelamento após o início do ato.
Vilela ainda pontuou que a falta de pagamento de pensão alimentícia pode acarretar na prisão dos trabalhadores afetados.
“Isso é grave. Enquanto a cúpula do Judiciário resiste até mesmo a cortar penduricalhos de juízes que ganham centenas de milhares de reais de salário, radialistas e jornalistas da TV e Rádio Justiça estão tendo os seus salários atrasados, não têm o FGTS recolhido há meses e pararam de receber auxílio-alimentação. É uma situação humilhante e inaceitável. Diante desse, a greve é a única saída possível e legítima”, pontuou.
Ainda segundo o sindicato, os valores estariam sendo abatidos dos salários, mas não estariam chegando aos beneficiários.
A paralisação ocorre em meio a uma série de denúncias contra a Fundac (Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação), empresa terceirizada responsável pela operação da TV Justiça. Os trabalhadores relatam atrasos de salários e do tíquete-alimentação, falta de recolhimento do FGTS e férias vencidas há quase um ano sem pagamento.
A Fundac mantém contrato com o Supremo Tribunal Federal há nove anos. Apesar das reclamações recorrentes sobre a gestão da empresa, o STF renovou os contratos ao longo desse período.
Nos bastidores, o temor é de que a situação se agrave com o encerramento do atual vínculo, previsto para o fim de julho. Uma nova terceirizada deve assumir a operação da emissora, mas funcionários acreditam que a atual contratada poderá deixar pendências trabalhistas sem solução.
A cobrança também alcança o Supremo. Trabalhadores argumentam que, embora o tribunal alegue que a responsabilidade seja da empresa contratada, outros órgãos públicos já adotaram medidas para evitar prejuízos aos empregados. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, recursos de uma terceirizada foram bloqueados e direcionados ao pagamento dos trabalhadores diante do risco de inadimplência.
Com 138 funcionários afetados, a TV Justiça enfrenta agora a perspectiva de uma greve que expõe não apenas a crise da terceirizada, mas também o constrangimento de ver a emissora do STF ameaçada por denúncias de atraso de salários e direitos trabalhistas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Heloisa Helena Bailo Salgado Alvarez
11.06.2026 01:41Como assim? A legislação vigente estabelece que o contratante é responsável solidário, portanto deve exigir mensalmente da contratada a comprovação da quitação das suas obrigações trabalhistas, previdenciárias e FGTS, sob pena do não pagamento até a apresentação da respectiva comprovação. Quer dizer que o STF libera o pagamento sem essas comprovações? Um órgão de justiça? Gzuis.